Guarda Revolucionária do Irã inicia manobras militares no Golfo em meio a tensão com os EUA

A Guarda Revolucionária do Irã, o Exército ideológico da República Islâmica, iniciou exercícios militares no Golfo Pérsico, informou a televisão estatal nesta terça-feira, em meio a crescentes tensões com os Estados Unidos, que mobilizaram recentemente uma força naval e aérea significativa na região e estão ameaçando atacar o país. Os exercícios "estão concentrados no litoral sul e nas ilhas" e incluem mísseis, artilharia, drones, forças especiais e veículos blindados, especificou a emissora. Análise: Para o Irã, rejeitar as exigências dos EUA para acordo nuclear é um risco que vale a pena correr Exercícios militares e novas diretrizes: Por dentro dos preparativos do Irã para a guerra e os planos de sobrevivência do regime As manobras estão sendo realizadas "com base em ameaças existentes", disse à televisão o comandante das forças terrestres da Guarda Revolucionária, Mohammad Karami. Após ordenar ataques direcionados contra instalações nucleares no Irã em junho de 2025, o presidente dos EUA, Donald Trump, não descarta o uso da opção militar novamente contra a República Islâmica caso as negociações em curso sobre o programa nuclear iraniano fracassem. Para exercer pressão, Washington mobilizou uma força naval e aérea significativa na região. Com Forças Armadas mobilizadas: Trump considera ataque limitado ao Irã para forçar acordo nuclear, diz jornal Em uma mensagem publicada na segunda-feira em sua rede social Truth Social, o presidente dos EUA escreveu que preferia um acordo, mas que, caso contrário, "a situação ficaria muito ruim" para o Irã. Na quinta-feira, Trump disse que havia se dado "de dez a quinze dias" para decidir sobre um possível uso da força contra Teerã. O Irã alertou na segunda-feira que qualquer ataque dos EUA, mesmo que limitado, provocaria uma resposta "feroz". — Não existe ataque limitado. Um ato de agressão será considerado um ato de agressão. Ponto final — declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai, em uma entrevista coletiva em Teerã. — Qualquer Estado reagiria fortemente a um ato de agressão em virtude de seu direito inerente à autodefesa, e é precisamente isso que faríamos. Análise: Trump prepara ato de guerra contra o Irã, país de 90 milhões de pessoas, sem explicação clara de motivo Em Genebra, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Qaribabadi, alertou também na segunda-feira para o risco de uma "escalada" regional e pediu que "todos os países comprometidos com a paz e a justiça tomem medidas significativas" para evitá-la. "Por excesso de cautela", os Estados Unidos ordenaram a retirada de pessoal não essencial de sua embaixada em Beirute, enquanto o movimento libanês pró-Irã Hezbollah já havia anunciado que não permaneceria neutro caso Washington atacasse. Nesse clima de tensão, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou na segunda-feira que Israel permanece "vigilante e preparado para qualquer cenário". Terceira rodada na quinta-feira Os Estados Unidos e o Irã realizarão novas negociações indiretas em Genebra na quinta-feira, sob a mediação de Omã, após duas sessões desde o início de fevereiro, confirmaram os três países na segunda-feira. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, chefe da delegação de negociação, disse no domingo que há "uma boa chance de se chegar a uma solução diplomática vantajosa para ambos os lados". Araqchi disse que espera entregar em breve "uma primeira versão" do texto à equipe americana, chefiada pelo enviado especial Steve Witkoff e pelo genro de Trump, Jared Kushner. Desde Iraque: Chegada de porta-aviões dos EUA ao Mediterrâneo reforça maior mobilização militar perto do Oriente Médio As negociações anteriores entre os dois países foram interrompidas em junho de 2025 pela guerra iniciada por Israel contra o Irã, na qual Washington interveio bombardeando instalações nucleares da República Islâmica. Na época, Trump afirmou ter "aniquilado" o programa nuclear iraniano durante esses bombardeios, embora a extensão exata dos danos permaneça desconhecida. Os países ocidentais temem que Teerã busque adquirir armas nucleares, enquanto o Irã insiste que deseja apenas desenvolver um programa nuclear civil. Em troca de um acordo sobre seu programa nuclear, o Irã espera que os Estados Unidos suspendam as sanções que estão prejudicando sua economia. Essas novas tensões entre Washington e Teerã aumentaram após a sangrenta repressão, em janeiro, a um amplo movimento de protesto antigovernamental no Irã, o que levou Trump a prometer "ajudar" o povo iraniano. Nos últimos dias, ocorreram novas manifestações contra o governo em diversas cidades.