O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, rebateu as declarações do CEO global da Enel, Flavio Cattaneo, que disse que os apagões não são um problema só da empresa e que apenas "Jesus Cristo evitaria esses apagões", enquanto as quedas de árvores sobre a rede de distribuição persistirem. Cattaneo disse que São Paulo é a única metrópole que tem a fiação aérea, diferente de outras grandes cidades como Madri, Paris ou Roma. Nunes criticou a irresponsabilidade da Enel e "sua capacidade de mentir". Enel: só 'Jesus Cristo' será capaz de evitar apagões em SP se quedas de árvores sobre fios persistirem Na mira: Relembre as crises envolvendo a Enel, que está na mira de fiscalização da Aneel — Minha opinião é que nem Jesus Cristo consegue salvar essa empresa, tal nível de irresponsabilidade e capacidade de mentir. É um desrespeito à população de São Paulo, ele falar uma coisa dessa —rebateu o prefeito na noite de segunda-feira. Nunes disse que mais de 80% das regiões que ficaram sem energia não têm qualquer correlação com a queda de árvores. — Se ele quer culpar uma árvore da ineficiência deles, querer invocar Jesus Cristo demonstra, mais uma vez, o quanto essa empresa é irresponsável e precisa sair da cidade — declarou Nunes. Cattaneo afirmou que a rede de energia, em muitos pontos, está “dentro das árvores”, e não apenas próximos a elas, o que, segundo ele, torna inevitáveis interrupções do serviço em situações de tempestade ou eventos climáticos excepcionais. — Se permanecer desse jeito (queda de árvores sobre a fiação), só um é capaz de gerenciar, mas este não é humano, é Jesus Cristo, porque não há outro jeito de evitar o apagão — afirmou o executivo, durante evento para a investidores e analistas de mercado realizado nesta segunda-feira, 23, em Milão. A Enel tem sido alvo de críticas de autoridades e da população da cidade pela demora em restabelecer o fornecimento de energia após chuvas. Um vendaval em 10 de dezembro do ano passado deixou mais de 2,2 milhões de clientes da empresa sem energia na Grande São Paulo, com normalização do serviço levando mais de cinco dias em muitas áreas. Em 3 de novembro de 2023, a capital e a região metropolitana de São Paulo registraram ventos de mais de 100 quilômetros por hora, além de fortes chuvas. Árvores caíram, houve deslizamentos e a rede elétrica foi amplamente comprometida. Foi necessária quase uma semana para o restabelecimento total do serviço para os 2,1 milhões de clientes que ficaram sem fornecimento de energia. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, formalizou, no final do ano passado, pedido à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a abertura de processo administrativo que pode resultar na rescisão do contrato de concessão da Enel em São Paulo. Enel não quer vender concessão Apesar disso, o Cattaneo afirmou que não há intenção de vender a concessão em São Paulo e que vem discutindo com autoridades a busca de uma solução para o problema. Uma delas é a criação de "corredores eletricos", através do manejo de árvores, substituindo as maiores por menores. De acordo com o executivo, a Enel cumpriu todos os critérios estabelecidos no contrato de concessão e pretende continuar investindo no país. No ano passado, a empresa anunciou R$ 25 bilhões no Brasil, em três anos, com foco na modernização das redes de distribuição. O executivo também afirmou que a empresa prepara uma comunicação formal ao presidente Lula e ao ministro de Minas e Energia do Brasil, Alexandre Silveira, para discutir o tema. Em nota, a Enel disse que as declarações do prefeito Ricardo Nunes sobre o último evento climático não correspondem à realidade, como a companhia irá demonstrar. "Mais de 90% dos casos de falta de luz foram decorrentes de causas ambientais, como a queda de árvores e galhos ou o contato da vegetação com a rede elétrica, devido ao impacto dos fortes ventos", diz a empresa na nota.