Governo Federal oficializa calamidade pública em Juiz de Fora após chuvas que causaram mortes

O governo federal afirmou que reconheceu o estado de Calamidade Pública decretado pela prefeitura de Juiz de Fora, nesta madrugada, em decorrência das fortes chuvas que atingiram o município ao longo das últimas 24 horas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prestou solidariedade às vítimas por meio das redes sociais, e declarou ter determinado "pronta mobilização" do governo. Ao todo, 16 pessoas morreram e 45 estão desaparecidas na cidade. No município vizinho de Ubá, na Zona da Mata mineira, também foram registradas quatro mortes por conta das chuvas, segundo os Bombeiros, embora a prefeitura já divulgue seis óbitos, conforme informações do g1. Vídeo: Temporal em Minas Gerais deixa ao menos 22 mortos em Juiz de Fora e Ubá 'Bairros estão ilhados': prefeita de Juiz de Fora afirma que cidade tem mês de fevereiro mais chuvoso da história "Nas próximas horas – e dias – seguiremos de prontidão para agir com a velocidade e a força que o momento exige. Nosso foco é garantir a assistência humanitária, o restabelecimento dos serviços básicos, o auxílio às pessoas desabrigadas e o suporte à reconstrução", informou o presidente Lula. O petista também informou que ligou para a prefeita Margarida Salomão (PT). O presidente está retornando de uma agenda na Ásia, e realizou o contato durante uma escala em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. "Quero enviar meus profundos sentimentos às famílias que perderam seus lares e, o que é pior, os seus entes queridos. E me solidarizar com as autoridades e forças de segurança mineiras que estão trabalhando no resgate e no atendimento imediato à população prejudicada pela chuva", completou Lula. Para auxiliar nos resgates, uma equipe de coordenação da Força Nacional do SUS já está a caminho de Juiz de Fora, assim como profissionais da Defesa Civil Nacional. Chuva recorde O mês de fevereiro já registrou 584 milímetros de chuva, se tornando o mais chuvoso da história da cidade. O recorde anterior era de fevereiro de 1988, quando o acumulado atingiu 456 milímetros. De acordo com a prefeitura, o volume registrado neste mês corresponde a 270% do total esperado para fevereiro, que era de 170,3 milímetros. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram a destruição causada na cidade. O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais afirmou que o transbordamento do rio Paraibuna e os deslizamentos causados pelas chuvas geraram, até esta madrugada, 40 chamadas de emergência. Também há ao menos 45 desaparecidos, conforme informações do portal de notícias g1. "As equipes atuam no atendimento a ocorrências de alagamentos, soterramentos, imóveis com risco estrutural e retirada preventiva de moradores em áreas vulneráveis. O reforço operacional inclui militares especializados, cães de busca e equipamentos específicos para atuação em desastres", informou a corporação, que recebeu o auxílio de 20 bombeiros da capital Belo Horizonte. A prefeitura informou que os deslizamentos que deixaram vítimas fatais ocorreram nos bairros JK, Santa Rita, Vila Ideal, Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa, enquanto a Defesa Civil registrou 251 ocorrências ao decorrer do dia. Segundo a prefeita Margarida Salomão (PT), diversos bairros estão ilhados. Também há ao menos 45 desaparecidos na cidade, conforme informações do portal de notícias g1. — Quem tentou andar pela cidade hoje sabe que os bairros estão ilhados. O rio Paraibuna saiu da calha, que também é uma coisa histórica. Os córregos estão todos absolutamente transbordando. Então, é uma situação de calamidade — disse Margarida, em um comunicado divulgado nas redes sociais na madrugada desta terça-feira. Calamidade Pública Ainda durante esta madrugada, a gestão municipal instituiu estado de Calamidade Pública em Juiz de Fora, que vigorará por 180 dias. Os servidores foram autorizados a trabalhar de forma remota nesta terça-feira, e as aulas nas escolas municipais foram suspensas. A prefeitura também informou que há três escolas funcionando como ponto de acolhimento para os desabrigados: Escola Municipal Paulo Rogério dos Santos, Escola Municipal Murilo Mendes e Escola Municipal Camilo Ayupe. Ao longo desta manhã, a prefeitura também decretou luto oficial de três dias em Juiz de Fora. Margarida afirmou ser o dia "mais triste" de sua gestão, que registrou mortes pela primeira vez em razão das chuvas. O que diz o governo de Minas O governo de Minas Gerais decretou luto oficial de três dias em todo o estado. Nas redes sociais, o governador Romeu Zema (Novo) prestou solidariedade às vítimas. Ele só viajará para os locais atingidos na noite desta terça-feira ou no início da quarta-feira. Quem já desloca para acompanhar os trabalhos das equipes de resgate é o vice-governador Mateus Simões (PSD). — A situação é dramática e eu estou indo para Juiz de Fora nesse momento para a gente poder continuar mobilizando. O Corpo de Bombeiros está todo mobilizado, nós estamos deslocando o nosso efetivo do Sul. Não há previsão de interrupção das chuvas até sexta-feira. Eu preciso que a população tenha muito cuidado na região, saiam imediatamente das áreas de encosto ou das áreas de risco, procurem abrigo, podem procurar as nossas escolas, se for necessário — disse Simões. Serviços suspensos em Ubá Em Ubá, que registou quatro mortes até o momento, os serviços de saúde no município precisaram ser suspensos devido à inundação. Em nota, a prefeitura informou a suspensão da Farmácia Municipal,do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), da Policlínica Regional e da EAP Central. "Apenas os atendimentos de hemodiálise serão mantidos, dentro das condições possíveis. As equipes já atuam para restabelecer os serviços o mais breve possível", diz o comunicado.