A liberação do uso compassivo da polilaminina por meio de decisões judiciais tem prejudicado o avanço das pesquisas, conforme afirmou a pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e responsável pelo desenvolvimento da molécula, Tatiana Sampaio. + Leia mais notícias de Saúde em Oeste O composto, que busca restaurar conexões nervosas em pacientes com lesões graves na medula, ainda não tem registro e nem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso amplo. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira, 23, Tatiana destacou que a judicialização antecipa a utilização do medicamento experimental sem o aval regulatório. Assim, cria obstáculos para o acompanhamento científico. https://www.youtube.com/watch?v=74sju-jDe_E Segundo ela, a Anvisa tem emitido pareceres rapidamente, ainda que o prazo oficial seja de 45 dias. Contudo, o crescimento dos pedidos judiciais dificulta o controle dos casos tratados. Uso compassivo da polilaminina e desafios no acompanhamento Frasco de polilaminina, fabricada pelo laboratório Cristália | Foto: Divulgação/Cristália A cientista explicou que o uso compassivo, permitido em situações específicas quando um médico solicita o acesso a medicamentos experimentais, não acelera o processo regulatório, mas amplia a quantidade de solicitações. "Não é nada confortável você participar de toda essa organização", afirmou Tatiana Sampaio ao Roda Viva. "Porque o que está acontecendo não é exatamente uma aceleração da resposta mesmo antes da Anvisa responder, mas um aumento de pedidos de uso compassivo, que é quando um médico pode demandar pedidos para usar uma medicação de uso experimental em um caso específico." Leia também: "De volta ao próprio corpo" , reportagem de Mateus Conte publicada na Edição 296 da Revista Oeste Ela ressaltou que as aplicações da polilaminina são invasivas e exigem profissionais treinados. Mencionou, ainda, que pacientes que recebem o tratamento por via judicial não têm obrigação de informar à equipe de pesquisa sobre possíveis efeitos adversos ou eventuais melhoras. Isso, segundo ela, cria um acompanhamento precário e dificulta a obtenção de dados essenciais. "Imagina se houver um efeito adverso e a pessoa não relatar...", ponderou a pesquisadora. "Se houver uma melhora inesperada ou alguma coisa que a gente nunca imaginou... Também nunca vamos saber. Ficam fora da pesquisa." https://www.youtube.com/watch?v=b1qpXJMvM6U Ela relatou que, dos 55 pedidos judiciais ocorridos até o momento, 30 receberam aval para uso da substância. Apesar disso, conforme Tatiana, o acompanhamento dos pacientes é limitado e chega a depender de informações da imprensa. O post Judicialização do uso da polilaminina dificulta avanço das pesquisas apareceu primeiro em Revista Oeste .