O presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Accioly, defendeu o trabalho da autarquia na supervisão do caso Master em participação em audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Segundo Accioly, as comunicações da autarquia sobre indícios de irregularidades relacionadas ao Master ou a Reag começaram em 2017 e se estenderam ao longo dos últimos anos. Ele destacou que um ofício enviado em junho do ano passado baseou a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga a fraude bilionária. As comunicações, segundo o presidente interino da CVM, foram feitas em: 2017: ao Ministério Público Federal (MPF); 2020: ao MPF, Banco Central (BC), Superintendência de Seguros Privados (Susep); 2021: ao MPF e ao Banco Central, duas para cada 2022: ao MPF, ao Banco Central, à Susep e à Receita Federal 2025: ao MPF, à Receita e ao BC — É sobre Master ou Reag, porque tem uma interligação entre eles. Desde 2017, já tem comunicações, que são feitas quando as áreas de investigação identificam irregularidades. E o processo da CVM corre em paralelo. O grupo de trabalho criado pela autarquia para acompanhar o caso Master e a Reag já identificou 200 processos abertos, mas ainda está em apuração qual foi o desfecho de cada um. Só em relação ao BRB, são 24 processos abertos. Accioly disse que vai compartilhar para a CAE todas as informações disponíveis, inclusive a — Então tem vários exemplos de atuações que a CVM fez. Accioly também destacou que uma das comunicações feitas ao MPF em 2025 deu base à Operação Compliance Zero. Segundo ele, o ofício tratava de empréstimos do Master no valor total de R$ 500 milhões para clínicas de laranjas, identificada em fiscalização proativa da autarquia. Ele disse ainda que a CVM não cuida da emissão de CDBs e de letras financeiras, responsabilidade do Banco Central. A senadora Leila Barros (PDT-DF) afirmou que as informações trazidas pelo presidente interino da CVM mostra que houve uma "omissão" no processo. — Se a CVM identificou, comunicou ao MPF, e a fraude aconteceu, onde está o erro? — destacou. — Eu não tenho a menor dúvida que houve uma omissão clara, não só de CVM, mas em todo processo. Temos que fazer um pente-fino onde que houve erro. Se foram abertos os processos, ainda estão sendo julgados e houve a fraude, existe um gargalo nesse processo ou mesmo a questão da omissão. Durante a sessão, Accioly explicou que o caso Master tem uma particularidade estrutural, porque suspeita-se que o investidor, tradicionalmente lesado em operações fraudulentas de fundos, era promotor ativo do superdimensionamento de ativos. — Tinha um alinhamento perverso de gestores e investidores para manter essa ficção contábil. É um me engana que eu gosto. Por que ele gosta? Porque bota no balanço dele que tem balanço mais robusto, o que permite que siga emitindo CDBs, para o BC parece que ele tem solidez que não tinha.