Governo do DF vai substituir projeto que dá 12 imóveis públicos como garantia em empréstimo do BRB

Veja onde estão 12 imóveis que o GDF quer usar como 'garantia' de empréstimo O governo do Distrito Federal vai apresentar à Câmara Legislativa, nesta terça-feira (24), uma nova versão do projeto de lei que oferece 12 imóveis públicos como garantia para empréstimo do Banco de Brasília (BRB). No novo texto, o governo retirou da lista de imóveis as áreas oferecidas do parque do Guará. A proposta será discutida pelos deputados distritais na tarde desta terça. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. A primeira versão do projeto foi apresentada no sábado (21). No entanto, o governo optou por enviar outra proposta com alterações. No novo texto, foram retiradas da lista de 12 imóveis as áreas 29 e 30 do Parque do Guará — um espaço natural e com vegetação, indicada como Proteção Integral/Conector Ambiental na proposta do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT). LEIA TAMBÉM: Veja detalhes e mapa de onde estão os 12 imóveis BRB e GDF não sabem quanto valem os imóveis oferecidos Votação do projeto ➡️ A expectativa do governo era de já votar e aprovar o texto nesta terça, sem muito debate e com amplo apoio de aliados – a exemplo do que aconteceu com o aval da Câmara do DF para a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, em 2025. À época, deputados de oposição reclamaram do tempo para realizar a votação e disseram que o projeto chegou à Casa incompleto. Os próprios distritais aliados de Ibaneis, no entanto, parecem ter decidido frear o andamento da matéria. A tendência é que a Casa adote uma postura mais cautelosa antes de deliberar sobre o projeto. O governador Ibaneis nunca enfrentou dificuldades para aprovar os projetos que enviou à Câmara Legislativa desde que assumiu o Palácio do Buriti, em 2019. Ibaneis Rocha, governador do DF, em 3 de fevereiro de 2026 TV Globo O projeto de lei sobre as garantias será o primeiro texto sobre o caso BRB-Master a ser votado na Câmara Legislativa desde a operação Compliance Zero e a liquidação do Banco Master, no fim de 2025. O texto é visto como um "termômetro" sobre a situação de Ibaneis na Casa – já que os pedidos de impeachment da oposição contra o governador, por exemplo, foram arquivados pelo presidente da Câmara Legislativa com base em pareceres técnicos e sem debate em plenário. Oposição pressiona Durante as últimas sessões ordinárias de 2025 e as primeiras de 2026, os deputados distritais da oposição cobraram, de forma insistente, explicações sobre a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB. Nesta segunda, o líder do governo na Câmara Legislativa, deputado Hermeto, afirmou que a prioridade da Câmara deveria ser "salvar o BRB". Segundo ele, as garantias exigidas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) não retiram os imóveis do patrimônio do GDF – e caberia aos deputados analisar o projeto com profundidade para evitar que o banco 'seja entregue de graça ao governo federal'. Em nota (veja íntegra abaixo), o BRB afirma que os imóveis listados no Projeto de Lei ainda passarão por avaliação técnica independente e que, por enquanto, não é possível estimar o valor total dos ativos. O banco ressalta que sua capitalização não depende da transferência direta desses imóveis, mas de estruturas financeiras em análise no Banco Central, junto a outras alternativas como venda de ativos e empréstimos. Infográfico - Veja detalhes dos 12 imóveis oferecidos pelo GDF como garantia Arte/g1 Entenda o empréstimo O empréstimo, que pode inclusive ser tomado junto ao Fundo Garantidor de Crédito, é uma das hipóteses citadas pelo BRB no plano "preventivo" entregue ao Banco Central há duas semanas, segundo apurou o g1. Se o empréstimo for tomado, esses recursos vão ajudar o BRB a melhorar o perfil de seus ativos – ou seja, reduzir o risco atrelado a seu patrimônio. O objetivo é garantir que o banco permaneça sólido e não gere desconfianças no mercado. Ou seja: evitar abalos à credibilidade do BRB. ⬆️ Com essa garantia do governo do DF, o BRB teria condições de captar recursos em condições mais favoráveis – com juros menores, por exemplo – para dar mais consistência ao balanço patrimonial do banco, abalado após as transações mal-sucedidas para a compra do Banco Master, nos últimos anos. ⬇️ Em compensação, caso não consigam honrar o empréstimo no futuro, o BRB e o governo do DF podem se ver obrigados a alienar (vender) esses imóveis para pagar o compromisso assumido. O que diz o BRB “O BRB informa que os imóveis incluídos no Projeto de Lei encaminhado pelo Governo do Distrito Federal ainda serão submetidos a avaliação técnica independente, realizada por peritos habilitados e com metodologias reconhecidas no mercado. Nesse estágio, não é possível estimar o valor total dos ativos, uma vez que a precificação depende das condições de mercado e pode envolver ágio ou deságio conforme o interesse dos investidores. A capitalização do BRB, por sua vez, não ocorre por meio da transferência direta desses imóveis, mas por estruturas financeiras capazes de monetizá-los, modelo que segue em análise junto ao Banco Central. Além dessas opções, seguem em avaliação outras estratégias para reforçar o patrimônio e preservar a capacidade de crédito da instituição, sempre alinhadas às exigências regulatórias e à necessidade de estabilidade financeira. Essas opções integram plano de capital encaminhado ao BC em 6 de fevereiro e consideram também como alternativa solução de mercado (venda de ativos); empréstimo feito por meio de consórcio de bancos e empréstimo direto junto ao FGC. Como instituição pública essencial para o Distrito Federal, o Banco desempenha papel central em políticas sociais, mobilidade, distribuição de benefícios e medicamentos, além de parcerias culturais e esportivas que impactam milhões de brasilienses. Com fundamentos consistentes e foco na estabilidade e credibilidade, o BRB seguirá fortalecendo sua capacidade de gerar resultados e cumprindo sua função estratégica no desenvolvimento econômico e social do DF. O Banco mantém seu compromisso com práticas de governança robustas, transparência na condução dos processos e a busca por soluções sustentáveis que assegurem a solidez do Banco e seu papel estratégico no desenvolvimento econômico e social do Distrito Federal.” Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.