Médicos e enfermeiros são investigados por morte de professora aposentada em hospital no Acre

Nadir Nazaré Gomes de Souza, de 84 anos, morreu após insuficiência cardíaca Arquivo pessoal Após a morte da professora aposentada Nadir Nazaré Gomes de Souza, de 84 anos, no dia 22 de janeiro, o Ministério Público do Acre (MP-AC) instaurou um novo procedimento de investigação criminal para ouvir médicos e profissionais de enfermagem que atuaram no atendimento da idosa em um hospital da Unimed, em Rio Branco. A decisão considera documentos médicos já analisados pela promotoria, que inclui prontuários e a certidão de óbito, que aponta como causa da morte uma alteração no equilíbrio de sais no organismo, relacionada ao excesso de sódio. (Veja detalhes mais abaixo) Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Contexto: O filho de Nadir, Sérgio Roberto Gomes de Souza, acusa a Unimed de negligência médica devido a erro na reposição de sódio aplicada à mulher. Ela teve piora no quadro após a aplicação e a família decidiu mudá-la de unidade e ela morreu no novo local aonde foi levada. À época, o hospital disse que não comentaria sobre o caso. Procurada pela Rede Amazônica, a Unimed informou que está inteiramente à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários. ‘Faz Bem’: especialista alerta sobre artrite e artrose em qualquer idade LEIA MAIS: Família acusa hospital particular de negligência após morte de professora aposentada no Acre Mãe acusa hospital de negligência em morte de gêmeos prematuros no AC: 'a gente não sabe a quem recorrer' Servidora filma adolescente de 14 anos antes do parto e polícia investiga o caso no interior do Acre Ainda segundo o documento, o promotor Ildon Maximiano Peres Neto afirma que, neste momento inicial, não é possível afastar a hipótese de homicídio. Além disso, no dia 27 de janeiro, o MP já havia instaurado procedimento para apurar suspeita de possível erro médico, causado pelo excesso na reposição de sódio durante a internação da idosa, após a repercussão do caso. O que será investigado Como primeiras medidas, o MP determinou: Solicitação de laudo cadavérico indireto ao Instituto Médico-Legal (IML), com base nos documentos médicos já existentes; Oitiva do médico contratado pela família para acompanhar o caso; Depoimentos de médicos e profissionais de enfermagem que participaram do atendimento; Pedido à Unimed para identificação completa de um enfermeiro citado em relatório interno; Levantamento de informações sobre possíveis outros casos semelhantes. Sergio Roberto, filho da professora Nadir Nazaré, acusa hospital particular de erro médico que levou à morte dela Arquivo pessoal Nadir Nazaré foi internada no dia 11 de janeiro para tratar um problema de artrose. O filho dela disse que uma avaliação médica recomendou que a idosa fizesse a reposição de sódio, contudo, ele alegou que a falta de monitoramento adequado contribuiu para a morte da vítima. “Ela tinha uma concentração de 115mEq/L [equivalente por litro, medida médica] , abaixo da média indicada de 136, como comprovado nos exames. Fez a primeira parte da reposição, mas na segunda, a infusão que era para durar mais oito horas foi aplicada em 1h30. Laudos apontam que minha mãe faleceu por excesso de sódio no organismo”, relatou. O professor ainda alegou que exames atestaram que o coração da idosa chegou a marcar 178 batimentos por minuto. Com os batimentos acelerados, Nadir teve a primeira parada cardíaca e foi enviada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde chegou a ser intubada. Com a piora, a família decidiu tirá-la do hospital e ela chegou a ser transferida para outras duas unidades. No segundo local aonde foi levada após a Unimed, sofreu a segunda parada cardíaca e faleceu. "Entrou para fazer uma infusão de sódio que não teve nenhum monitoramento e terminou dentro de um caixão”, lamentou. Reveja os telejornais do Acre