Governo do Irã adverte estudantes a não ultrapassarem 'limites' nos protestos em meio à tensão com os EUA

Após a sangrenta repressão ao movimento de protestos em janeiro, o governo iraniano advertiu nesta terça-feira estudantes que voltaram a se manifestar de que existem “limites”, em um país atento às ameaças de uma eventual intervenção militar dos Estados Unidos. Segundo a imprensa local, o novo semestre começou no sábado com manifestações a favor e contra o governo. Manifestações no Irã: estudantes retomam protestos em universidades enquanto EUA aumentam pressão antes de novas negociações nucleares Sob ameaça de ataque: Guarda Revolucionária do Irã inicia manobras militares no Golfo em meio à tensão com os EUA Eles “têm, naturalmente, o direito de se manifestar”, declarou a porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani. Mas há “limites que devemos proteger e não ultrapassar ou desviar, nem mesmo no auge da indignação”, afirmou, citando “coisas sagradas”, como “a bandeira” da república islâmica. Vídeos divulgados nas redes sociais e verificados pela AFP mostram universitários de Teerã queimando a bandeira adotada após a revolução de 1979, que derrubou a monarquia. Entre as palavras de ordem estava “morte ao ditador”, em alusão ao guia supremo, Ali Khamenei. Essas concentrações, que segundo algumas fontes derivaram em confrontos entre opositores e partidários do poder, abalam um país ainda chocado com as manifestações das últimas semanas. Definição de planos: líder militar dos EUA apresenta ressalvas sobre ataque ao Irã, mas decisão ficará com genro e enviado especial de Trump As marchas começaram no fim de dezembro contra o alto custo de vida, mas foram ampliadas para protestar contra o poder, até serem violentamente reprimidas. Entre ameaças e diálogo Desde então, o presidente americano Donald Trump tem ameaçado bombardear o Irã novamente, após a guerra de junho de 2025 desencadeada por Israel, na qual Washington atacou instalações nucleares iranianas. Trump ordenou a mobilização de um dispositivo militar e naval na região, enviando o porta-aviões Abraham Lincoln ao Oriente Médio. O maior porta-aviões do mundo, o Gerald R. Ford, navega pelo Mediterrâneo e encontra-se atualmente em uma base em Creta, na Grécia. Initial plugin text É incomum que dois navios desse tipo, que transportam dezenas de aviões de combate e são tripulados por milhares de militares, estejam ao mesmo tempo em uma mesma região. Na quinta-feira, Trump declarou que havia estabelecido um prazo de entre dez e quinze dias para decidir se recorreria à força contra Teerã. Nesse contexto, as negociações continuam. Os Estados Unidos exigem um acordo que impeça Teerã de se armar com bombas nucleares, como acusam os ocidentais, embora o Irã afirme que busca um programa com fins civis. Mudança de postura: Lula diz que não está preocupado com possível ataque dos EUA ao Irã Uma terceira rodada de conversações, mediadas por Omã, está prevista para quinta-feira em Genebra, mas encontrar um entendimento será “uma tarefa difícil”, indicou o centro de estudos americano International Crisis Group em um relatório publicado na segunda-feira. Manobras iranianas no Golfo “Depois de cinco décadas de antagonismo profundo e de colaboração ocasional, a república islâmica e os Estados Unidos nunca estiveram tão perto do precipício de um grande conflito”, escreveram os analistas. Segundo esses especialistas, as intenções de Washington, caso a diplomacia fracasse, continuam “confusas”, mas Trump ainda prefere “guerras curtas que possa apresentar facilmente como bem-sucedidas” a “meter-se em um conflito custoso e caótico”. Análise: para o Irã, rejeitar as exigências dos EUA para acordo nuclear é um risco que vale a pena correr Na segunda-feira, Trump negou informações da imprensa segundo as quais o chefe do Estado-Maior americano, o general Dan Caine, teria advertido contra uma intervenção militar de grande envergadura no Irã. O Irã alertou que responderia “com força” a qualquer ataque americano, ainda que limitado, e alertou para o risco de uma “escalada” regional caso Washington opte por uma ação militar. Diante das “ameaças”, a Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, iniciou manobras militares nas costas do Golfo.