O senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), afirmou nesta segunda-feira que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), sinalizou apoio logístico para garantir o depoimento presencial do empresário Daniel Vorcaro ao Senado, na próxima terça-feira. Segundo Renan, a colaboração inclui o acionamento da estrutura da Polícia Federal, com o uso de aeronave oficial e suporte para o deslocamento do advogado de defesa. — O Ministro André Mendonça colocou à disposição toda a infraestrutura, com absoluta discussão e com todo o respeito, inclusive com o uso da estrutura até para o transporte do advogado de defesa para que a comissão pudesse fazer a audiência com o senhor Vorcaro — afirmou Renan na saída do STF. O depoimento de Vorcaro estava inicialmente previsto para esta terça-feira, mas foi adiado após discussões sobre a logística. Segundo Renan, o empresário apresentou três alternativas para prestar esclarecimentos sobre o caso Master. A primeira era adiar a ida presencial para a próxima semana, garantindo tempo para organizar o deslocamento após decisão do STF que o impediu de viajar em jato particular — Vorcaro cumpre prisão domiciliar em São Paulo. A segunda opção seria falar por videoconferência ainda nesta semana. A terceira seria receber, em São Paulo, integrantes do grupo de trabalho da CAE para um depoimento presencial no local onde cumpre a medida. Com o apoio oferecido por Mendonça, a comissão trabalha agora com o cenário de oitiva presencial no Senado, em Brasília, na próxima terça-feira. Cobrança por documentos de órgãos de controle O senador também criticou a demora na entrega de informações pedidas ao Banco Central (BC) e ao Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo ele, o envio dos dados do Banco Central depende de um despacho do ministro Mendonça, e o TCU não repassou documentos, apesar de pedido feito pessoalmente. — E ainda não recebemos, pasmem, as informações do Tribunal de Contas da União, que faz a fiscalização pública em nome do poder legislativo. Eu não sei o que é que está havendo porque eu fui pessoalmente ao Tribunal, pedi ao presidente do Tribunal que mande uma cópia dos procedimentos que foram abertos no Tribunal de Contas para acabar com a liquidação do Banco Master e até agora, apesar da indiscutível possibilidade de fazermos a requisição dessas informações, nós não tivemos o recebimento — afirmou. Renan disse ter deixado o STF com a percepção de que Mendonça pretende liberar todas as informações que não coloquem em risco as investigações sobre o Banco Master. — A absoluta transparência é o grande antídoto que a sociedade brasileira quer — afirmou.