Receita pede custódia de joias de Bolsonaro em investigação sobre venda de bens recebidos no Planalto

A Receita Federal solicitou formalmente à Polícia Federal que assuma a custódia das joias e objetos de luxo recebidos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro  (PL) e por sua esposa, Michelle Bolsonaro, como parte da investigação que apura peculato, lavagem de dinheiro e tentativa de venda ilegal desses bens, no caso conhecido como "inquérito das joias".  O pedido, enviado à PF e remetido ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), tem como objetivo transferir a responsabilidade pelos objetos — hoje sob guarda da Caixa Econômica Federal, em Brasília — para a Alfândega do Aeroporto de São Paulo, onde a Receita pretende continuar o processo administrativo que pode levar à incorporação dos presentes ao patrimônio da União.  O conjunto de 16 itens listados pela PF inclui relógios de marcas de luxo como Rolex, Chopard e Hublot, além de rosários árabes, abotoaduras, um par de brincos e outros itens que chegaram ao país durante o mandato presidencial.  Segundo fontes ouvidas pela reportagem, a Receita não busca a posse física imediata das peças, mas quer assumir oficialmente a custódia para dar seguimento ao procedimento de perdimento administrativo — etapa na qual o órgão fiscal decide se os bens passam a ser de propriedade estatal. O caso está ligado a inquérito da PF que, em julho de 2024, resultou no indiciamento de Bolsonaro por peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro em razão da conduta envolvendo os presentes diplomáticos e sua tentativa de venda ou uso fora dos trâmites legais.  A apuração diz respeito à apropriação indevida de joias dadas de presente por autoridades estrangeiras a Bolsonaro ao longo de seu governo. Além do ex-presidente, foram indiciados pela PF o tenente-coronel Mauro Cid e outras dez pessoas por envolvimento num suposto esquema de desvio de joias do acervo presidencial. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que entrou na mira da apuração, acabou não sendo indiciada. A Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda deve se manifestar sobre se apresentará ou não denúncia formal contra o ex-presidente e outros investigados.