Ao detalhar a estrutura da sua pré-campanha presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que sua estratégia para 2026 combina centralização a partir da palavra de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro e sinalizações ao mercado e ao exterior. Segundo ele, o trabalho começou há mais de um ano e pode resultar em até 11 candidaturas próprias do PL aos governos estaduais. — Já tem mais de um ano que a gente está tratando das composições dos nossos times nos estados, com palanque de governo, senadores e tal. Não tem decisão que eu tome, que eu torne pública, que eu não tenha passado por ele. A palavra final sempre é dele. Flávio também destacou o papel do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, na coordenação das articulações. — Hoje, mais uma vez, passamos vários estados aqui junto com o presidente Valdemar. Segundo ele, a condução da eleição de 2026 será diferente da adotada em 2022, quando Bolsonaro evitou envolvimento direto em parte das negociações estaduais. — Em 2022 o presidente não se envolveu em grande parte dos palanques. Esse ano está sendo diferente. A gente vai partir só com o PL e tem a possibilidade de ter quase 11 pré-candidatos. A ideia é estruturar os estados antes da campanha nacional, garantindo palanques robustos e maior poder de negociação política. Ao projetar um eventual novo mandato do grupo, Flávio afirmou que pretende iniciar o governo com uma equipe mais experiente do que em 2018, combinando perfil técnico com habilidade política. — Diferente de 2018, nós já começaríamos um governo com um time com conhecimento muito mais profundo, não apenas sobre cada área específica, mas também pessoas já experimentadas com relacionamento com o Congresso Nacional. Ele defendeu que a articulação política seja critério de escolha. — Eu acho que é um critério que eu vou adotar também: alguém que tenha esse conhecimento de política, que saiba como tratar os parlamentares, porque ninguém faz nada sozinho. Vão ser pessoas técnicas, de preferência, mas que tenham alguma experiência na parte da política. Na área econômica, prometeu sinalização antecipada. — Os melhores nomes da minha equipe econômica? Os melhores do Brasil. Paulo Guedes para cima. Em meio às articulações, Flávio convocou reunião com a bancada do PL para esta quarta-feira. — Não é puxão de orelha, de forma alguma. É mais um gesto de respeito. Eu quero que eles se sintam cada vez mais pertencendo a esse projeto. São Paulo e o papel de Eduardo São Paulo é tratado como peça central da estratégia. Flávio confirmou agenda com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), na sexta-feira, e disse que busca consolidar alinhamento público. — Vai ser muito importante caminhar ao lado do governador Tarcísio. A gente pode dar mais um gesto público de que ele vai estar com a gente de forma integral. O senador também deu destaque ao papel do irmão, Eduardo Bolsonaro, nas articulações no estado, mas reconheceu que seria estranho o irmão concorrer à reeleição após ser cassado por faltas. — Se ele perde o mandato por falta, como é que ele vai explicar para o eleitor que vai se eleger, tomar falta e perder o mandato também? O grupo, segundo ele, realiza pesquisas para avaliar o melhor caminho para Eduardo. No Nordeste, Flávio afirmou que o partido coloca “lupa” nas articulações e prometeu reforço da presença regional. — A gente bota uma lupa nos estados. A gente tem tudo para montar palanques que nós nunca tivemos no Nordeste. Flávio também detalhou viagens à França, Israel, Estados Unidos e países do Oriente Médio. Disse que buscou dialogar com lideranças conservadoras e criticar a política externa do governo Lula. — Fui lá mostrar que a política externa do atual governo vai muito mal. Não tem que escolher entre China e Estados Unidos. Tem que conversar com todo mundo. Questionado sobre Michelle Bolsonaro e as especulações em torno de uma eventual candidatura dela ao Senado, Flávio procurou afastar qualquer sinal de disputa interna e reforçar a lógica de alinhamento ao ex-presidente. Disse que a ex-primeira-dama construiu capital político próprio dentro do eleitorado conservador e que seu papel no projeto nacional seguirá a orientação de Jair Bolsonaro. — Só tenho elogios à Michelle, sempre. É uma pessoa que construiu a sua credibilidade com base no trabalho dela — afirmou. Em seguida, acrescentou que qualquer movimento eleitoral será coordenado dentro do grupo. — Ela vai estar sempre ali, alinhada com o que o nosso presidente Jair Messias Bolsonaro falar.