Graças ao setor agrícola, que compensou com seu bom desempenho a queda registrada em outros setores, a atividade econômica argentina encerrou 2025 com um crescimento acumulado de 4,4%. Embora esteja abaixo dos 4,5% projetados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e dos 5% estimados no orçamento para este ano, o resultado foi melhor do que o esperado pelo mercado. O resultado foi publicado pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), em seu Estimador Mensal da Atividade Econômica (EMAE). O relatório destacou que dezembro teve um forte avanço de 1,8% dessazonalizado, em relação a novembro, e de 3,5%, em comparação com o mesmo mês de 2024. No entanto, é importante lembrar que os dados do EMAE são provisórios. No próximo dia 20 de março será publicado o relatório preliminar do nível de atividade correspondente ao quarto trimestre de 2025. Initial plugin text Os números foram comemorados pelo governo. O ministro da Economia, Luis Caputo, destacou o crescimento acumulado e o mensal em sua conta na rede social X. Além disso, na mesma publicação, observou: “Apesar da incerteza eleitoral que ocorreu durante o segundo semestre do ano passado, a solidez dos fundamentos econômicos baseados no superávit fiscal, na ordem monetária e na recapitalização do BCRA (Banco Central da Argentina) permitiu sustentar o crescimento econômico durante o segundo semestre de 2025”. Os setores agrícola e financeiro contribuíram significativamente para o crescimento da economia no último mês do ano passado, enquanto a indústria manufatureira e o varejo registraram queda. O principal setor agrícola da Argentina, em particular, foi impulsionado por um crescimento de 32% na comparação anual. “Depois de dois meses em que a economia teve desempenho abaixo do esperado, dezembro foi muito forte”, disse Maria Castiglioni, diretora da C&T Asesores Económicos, consultoria com sede em Buenos Aires. “Claramente, a atividade agrícola ajudou bastante.” Após uma derrota contundente na eleição provincial de Buenos Aires em setembro passado, o partido do presidente Javier Milei reagiu com uma vitória expressiva nas eleições legislativas no mês seguinte. Os mercados argentinos recuaram antes da eleição nacional de outubro, à medida que investidores apostavam em mais um revés. A maioria dos setores acelerou a produção no terceiro trimestre para se antecipar a uma temida desvalorização pós-eleitoral, o que desacelerou a atividade econômica em outubro e novembro. “A indústria manufatureira ainda está sofrendo impacto. O lado positivo é que o ciclo agrícola é independente da eleição”, afirmou Sebastian Menescaldi, diretor da consultoria local EcoGo.