Choro, reza e presença de familiares de vítima e acusados no mesmo ambiente: o caso Marielle no STF

O primeiro dia do julgamento dos acusados de terem participado dos homicídios da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), teve o comparecimento dos familiares das vítimas, dos réus e uma presença tímida de políticos ligados a Marielle. Sentado na quarta fileira do plenário, do lado oposto de onde se sentaram os familiares da ex-vereadora, ficou o deputado estadual do Rio de Janeiro Manoel Brazão (União), conhecido como Pedro Brazão. Ele é irmão de Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, e Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, apontados como os mandantes do assassinato de Marielle. No início da sessão, ele ficou ao lado de Alice Brazão, esposa de Domingos, e dos filhos do casal. Durante a fala do vice-procurador-geral da República (PGR), Hindenburgo Chateaubriand Filho, o deputado estadual ficou de cabeça baixa e olhos fechados. Em alguns momentos, manifestou discordância de forma discreta, balançando a cabeça negativamente. Em outros momentos, segurou um escapulário e rezou. Durante a sustentação oral de Cleber Lopes, advogado de Chiquinho, Pedro chorou. Após o intervalo, quem ficou ao seu lado foi a sua esposa, Denise. Ao GLOBO, ela disse que “a pior coisa que tem é ser acusado por um crime que não cometeu”. — A família está definhando. E meu cunhado está literalmente definhando em um presídio de segurança máxima há dois anos — afirmou. Chiquinho está em prisão domiciliar, mas Domingos segue em um presídio federal. Apesar de ter se mantido sério, rezando ou chorando ao longo da sessão, Pedro manifestou um sorriso leve quando o presidente da Primeira Turma, o ministro Flávio Dino, fez uma brincadeira com a ministra Cármen Lúcia antes da suspensão para o almoço. Do outro lado do auditório, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, permaneceu sentada ao lado dos pais, Antonio Francisco da Silva Neto e Marinete da Silva, e da sobrinha Luyara Franco, filha de Marielle. Também ficou na primeira fileira a viúva de Marielle, Monica Benício, e de Anderson, Ágatha Arnaus Reis. Logo atrás, ficou Fernanda Chaves, que era assessora de Marielle e sobreviveu ao atentado. As fileiras deste lado da Primeira Turma estavam bem mais cheias que as ocupadas por familiares dos irmãos Brazão. Além da própria ministra e irmã de Marielle, estiveram presentes o presidente da Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo), Marcelo Freixo, e os deputados federais Talíria Petrone (RJ), Fernanda Melchionna (RS), Pastor Henrique Vieira (RJ), Tarcísio Motta (RJ) e Chico Alencar (RJ), todos do PSOL. Marielle foi assessora de Freixo quando ele era deputado estadual justamente no período em que foi instaurada a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das Milícias, da qual Freixo foi presidente. Durante as sustentações orais, Freixo esboçou reações às menções a seu nome por parte dos advogados de Domingos Brazão. Os defensores lembraram de declarações do ex-deputado federal, o que o levou a gesticular esboçando discordância.