Comissão debate urgência na Política Nacional contra o câncer

A Comissão Especial de Combate ao Câncer, AVC e Doenças do Coração debateu, nesta terça-feira (24), na Câmara dos Deputados, a implementação da Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer, regulamentada pelo Ministério da Saúde. O foco foi transformar a legislação em ações práticas, garantindo diagnóstico precoce e tratamento oportuno. O deputado Weliton Prado (Solidariedade-MG), autor do requerimento para o debate, comemorou a aprovação da política, mas alertou para a distância entre a lei e a realidade. "No país, primeiro você luta muito para aprovar uma lei, depois é uma luta maior ainda para a lei sair do papel e aquilo virar realidade", afirmou. Ele destacou que o câncer de mama mata cerca de 50 mulheres por dia no Brasil, mortes evitáveis com acesso à prevenção. Um dos pontos centrais foi a situação do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Servidores e especialistas pediram concurso público urgente para a instituição, sem renovação de quadro há quase uma década. Peter Tavares, vice-presidente da Associação de Funcionários do Inca, enfatizou o papel do instituto como universidade oncológica, de pesquisa e formação. "Precisamos de concurso público porque já tem quase 10 anos sem esse certame", cobrou. Viviane Rezende de Oliveira, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, reforçou a importância do Inca na formação de especialistas. "O Inca é uma escola, uma tradição. A essência do instituto vem das pessoas que trabalham ali dentro, e não podemos deixar isso morrer", declarou. Natáli Minóia, coordenadora-geral de Estratégias Inovadoras e Colaborativas de Atenção ao Câncer do Ministério da Saúde, apresentou avanços na rede de atenção, como ampliação do acesso à radioterapia e uso de carretas de saúde para diagnóstico móvel. Ela destacou a nova estratégia de rastreamento do câncer de colo de útero com testes moleculares para detecção de HPV. No entanto, Clarissa Baldoto, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, alertou para o desafio do financiamento de novos fármacos. "O custo da oncologia clínica é um desafio no mundo inteiro. Desenvolvemos um índice de priorização para categorizar quais medicamentos teriam impacto mais imediato para serem incorporados pelo SUS", informou. A presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida, Marlene Oliveira, expressou preocupação com métodos de diagnóstico sem comprovação científica, como a termografia, usada de forma enganosa. "Isso me assusta muito. Há lugares no Brasil utilizando esse método chamado termografia, que não acusa nada em pacientes com alta suspeita de câncer. Isso é irresponsabilidade", alertou. Prado reforçou: "Fazer uma termografia em adolescente é enganar as pessoas. É uma coisa absurda que cria desinformação e afasta a mulher da mamografia correta". O deputado Weliton Prado comprometeu-se a realizar uma audiência específica sobre a deficiência de profissionais no Inca e a buscar a criação de um fundo nacional para tratar o câncer como doença emergencial no Orçamento federal.