Julgamento do caso Marielle: com pedidos de absolvição, veja os principais pontos da segunda parte da sessão

Durante a tarde desta terça-feira, por mais de cinco horas, os advogados dos réus no caso Marielle se dividiram, com uma hora para cada, e apresentaram seus argumentos diante da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). No geral, foi pedida a absolvição dos clientes. Gabriel Habib, por sua vez, que defende o assessor parlamentar Robson Calixto, o Peixe, reiterou um pedido de prisão domiciliar ao réu, que investiga se está com câncer de próstata. Caso Marielle: acompanhe o julgamento dos acusados de ordenar e planejar a execução da vereadora Julgamento: veja o que sustentam a acusação, a defesa dos réus e as provas em questão 'Qual a motivação de Rivaldo Barbosa?' O advogado Felipe Dalleprane, que defende o ex-chefe de Polícia Civil Rivaldo Barbosa começou seu argumento com a pergunta acima, pontuando que esse foi "um elemento que a investigação não soube responder". 'Grande indignação' de Rivaldo Outro advogado a defender Rivaldo Barbosa foi Marcelo de Souza, que sustentou que não há provas de contato entre o ex-deputado Chiquinho Brazão, o ex-conselheiro do Tribunal de Contas Domingos Brazão e seus assessores com o ex-chefe de Polícia Civil. O advogado mencionou que "nada foi encontrado" no telefone ou no notebook do cliente, o que causou "grande indignação" no delegado, réu no caso. Linha do tempo Caso Marielle e Anderson: oito anos entre crime, investigações, obstruções e condenações Ronnie Lessa definido como 'inteligente' A defesa de João Inácio Brazão, o Chiquinho Brazão, iniciou sua sustentação questionando a delação de Ronnie Lessa. Durante sua fala no STF, o advogado Cleber Lopes de Oliveira afirmou que a delação é uma “criação mental” e que o atirador confesso é um “articulado e inteligente”. Já Márcio Palma, advogado de Domingos Brazão, também classificou Lessa como "uma figura inteligente", pontuando que sua delação tem "pé e cabeça", mas que "troca personagens" para "se beneficiar". Galerias Relacionadas Choro, reza e presença de familiares de vítima e acusados no mesmo ambiente: o caso Marielle no STF Pedido de votos a traficantes e milicianos Cléber Lopes, segundo a falar nesta tarde, também fez uma análise das relações políticas no Rio. — Quem no Rio de Janeiro faz política e nunca pediu voto para traficantes ou milicianos, que atire a primeira pedra. Essa é a realidade do Rio de Janeiro — argumentou o advogado, que ponderou que o cliente não foi indiciado na CPI das Milícias. Ainda segundo Cléber, não havia divergências políticas entre Marielle e Chiquinho, seu cliente. O advogado afirmou ainda ser "preconceituoso" classificar o ex-deputado como miliciano pontuar na Zona Oeste, área em que "nasceu e foi criado". Initial plugin text Jejum de provas e criação mental: advogados contestam delação de Lessa e PGR em julgamento do caso Marielle Ronnie Lessa inimigo de réu: 'O que está fazendo aqui?' A defesa do policial militar Ronald Paulo Alves Pereira, o Major Ronald, também iniciou sua sustentação questionando a relação entre Ronnie Lessa e o PM. O advogado Igor Luiz Batista de Carvalho argumentou que eles eram "inimigos": — Não estamos falando de pessoas que tinham qualquer tipo de proximidade ou que eram do mesmo grupo. Eles tinham interesses antagônicos, visões distintas e, de certa forma, em alguns momentos, competiam entre si. Durante uma hora no microfone, Igor repetiu no microfone a pergunta "O que Ronald está fazendo aqui?", pontuando que seu cliente foi o "mais escrutinado", ressaltando que a Polícia Civil, o Gaeco/MPRJ e a Polícia Federal não apontaram o PM como participante do caso, mesmo após investigá-lo. Sem 'juízo de simpatia' no processo penal Depois de argumentar que Major Ronald, seu cliente, foi investigado e, mesmo assim, não constou como participante da morte da vereadora Marielle Franco nos relatórios das polícias Civil e Federal, assim como do Gaeco/MPRJ, o advogado Igor de Carvalho admitiu que o PM tem uma trajetória "permeada por inúmeros equívocos". Mas ponderou que o policial, preso desde 2019, já paga por eles. — Processo penal não é juízo de simpatia ou de empatia. Pouco importa gostar ou não dele. Pouco importam os fatos que não tenham qualquer relação com o objeto de um processo. Processo penal é guiado por princípios sólidos — afirmou Igor, que pediu a absolvição de Major Ronald. 'Preconceito, ‘lucros exorbitantes’ e ‘criação mental’: as frases que marcam o primeiro dia do julgamento do caso Marielle Pauta fundiária O advogado Roberto Brzezinski, também da defesa de Domingos Brazão, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio, disse que apresentaria um "argumento novo" e levantou dúvidas sobre as acusações que recaem sobre a família Brazão. Ele disse ainda que perguntou às quase 50 testemunhas e nenhuma delas apontou áreas loteadas e vendidas pelos irmãos Brazão. — Se a motivação desse homicídio era econômica, se a pauta fundiária de Marielle era tão intensa, como a Procuradoria não mostrou nenhuma área que a família Brazão tenha invadido, loteado e vendido? — questionou. Ao final, Brzezinski pediu absolvição do seu cliente. Quimera: cabeça de leão e rabo de cobra Gabriel Habib, advogado de Robson Calixto, o Peixe, assessor de Domingos Brazão na Alerj, frisou que o cliente figura no banco dos réus no Caso Marielle "exclusivamente" por ser citado na colaboração premiada do ex-PM Ronnie Lessa. O advogado — que foi o último a falar, após mais de quatro horas de argumentações das defesas dos réus — enfatiza que Robson não aparece no inquérito, mas que a Procuradoria-Geral da República o denunciou por organização criminosa. — O que temos aqui é uma quimera, figura da mitologia grega: cabeça de leão, corpo de cabra, rabo de cobra — definiu Habib. Perfil de miliciano e câncer Por fim, o advogado Gabriel Habib reiterou um pedido pela prisão domiciliar de Peixe, por suspeita de câncer de próstata, para a realização de exames. Entre os argumentos, o advogado ainda afirmou que o perfil do cliente é "incompatível" ao de um miliciano: Peixe é casado há 19 anos, tem dois filhos, sempre morou com a família e tem curso superior, ponderou Habib.