A Mocidade Independente de Padre Miguel anunciou, na noite desta terça-feira, a saída do carnavalesco Renato Lage, que integrava o quadro artístico da escola desde o carnaval do ano passado. Neste ano, o profissional assinou o enredo "Rita Lee, a padroeira da liberdade". Nas redes sociais, a agremiação agradeceu a contribuição de Lage. "Hoje, chega ao fim mais uma passagem do Mago em Padre Miguel. Agradeço todo carinho, comprometimento e entrega nesses dois últimos carnavais ao meu lado. A sua idolatria e importância para minha história serão sempre lembradas em todos os momentos. As portas estarão sempre abertas, afinal, aqui sempre será sua casa. Muito obrigada e desejo toda sorte do mundo nos próximos desafios. Beijos, Renato. Da sua Estrela", escreveu. No desfile deste ano, o carnavalesco Renato Lage apresentou a trajetória musical da artista que ajudou a transformar a cena do Rock Nacional. Embora o enredo tenha focado na carreira da cantora, compositora e poeta, sua vida pessoal também foi lembrada por meio de momentos pontuais. A luta política de Rita no período da ditadura e até sua prisão estiveram presentes na Avenida. Um dos destaques da escola ficou por conta de bruxas em vassouras voadoras que libertavam Rita Lee da repressão da ditadura militar na comissão de frente da Mocidade. O grupo, coreografado por Marcelo Misailidis, vencedor do Estandarte de Ouro de melhor comissão de frente em 2025, trouxe desta vez triciclos carnavalizados para simular o voo das bruxas. No ano passado, a surpresa foram robôs. No entanto, a Mocidade amargou o 11º lugar, classificação que causou uma enxurrada de críticas aos jurados e mudanças nos comandos da escola. Resultado polêmico A Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) divulgou, no dia 19, um dia após a Viradouro se consagrar a campeã do carnaval 2026, as justificativas do júri para as notas dadas para cada agremiação durante os desfiles. A Mocidade Independente de Padre Miguel, por exemplo, perdeu pontos no enredo por associar Rita Lee, a homenageada da verde e branco da Zona Oeste, ao título de "padroeira". O argumento é da jurada Mônica Mançur, que pontuou a escola em 9,6 no quesito, tirando quatro décimos. "A associação da figura de Rita Lee a qualquer título de ordem convencional (religiosa ou não), como no caso de "Padroeira", desconstrói o recorte libertário do enredo apresentado. Por esta razão, retira-se um décimo", explicou a jurada. A justificativa gerou controvérsia e provocou críticas da escola, que foi às redes sociais reclamar. "As justificativas começaram a ser divulgadas, e, na primeira que recebemos, a da jurada Mônica Mançur, que nos deu 9,6 em enredo, encontramos em uma das justificativas que o termo "Padroeira" desconstruiria o enredo. Ela só esqueceu de ler que a própria Rita Lee se chamava assim", queixou-se a escola, em post no Instagram. Uma das maiores vozes da música brasileira inspirou a estrela-guia de Padre Miguel. O enredo "Rita Lee, a padroeira da liberdade" homenageou a cantora, que morreu em 2023, aos 75 anos. Numa entrevista à revista "Rolling Stone", ela falou sobre o apelido. "Gosto mais de ser chamada de 'padroeira da liberdade' do que 'rainha do rock', que acho um tanto cafona", afirmou.