O PL quer que o deputado estadual licenciado e secretário de Cidades, Douglas Ruas, chegue à disputa contra o prefeito Eduardo Paes já sentado na cadeira de governador do Rio de Janeiro. A possibilidade é considerada pelo grupo como estratégica diante da provável vacância no comando do estado e da necessidade de enfrentar um adversário com maior trajetória política. Chapa lançada pelo PL no Rio: mãe de Flávio Bolsonaro será candidata suplente ao Senado Suposta prática de rachadinha: MP reabre investigação contra Carlos Bolsonaro Segundo integrantes da aliança, a definição sobre quem disputará a eleição indireta que tende a ocorrer nos próximos meses ficará para mais perto do prazo legal. O próprio Ruas, porém, desponta como principal opção, apesar da preferência do governador Cláudio Castro por emplacar o secretário de Casa Civil, Nicola Miccione. Já o grupo ligado ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Altineu Côrtes, e ao senador Flávio Bolsonaro vê vantagem em lançar Ruas desde já. Com a confirmação de que Castro pretende concorrer ao Senado, o estado caminha para uma dupla vacância, já que o então vice-governador Thiago Pampolha assumiu cargo no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Nesse cenário, caberá aos deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro eleger um governador-tampão após o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro assumir interinamente o Palácio Guanabara. Antes disso, porém, o Tribunal Superior Eleitoral retomará em 10 de março o julgamento do caso Ceperj, que ameaça cassar Castro e torná-lo inelegível. O governador é acusado de abuso de poder político e econômico na eleição de 2022 por supostas contratações fantasmas de cabos eleitorais. Composição inicial da chapa Foi nesse contexto que o PL definiu, em reunião em Brasília nessa terça-feira, a composição inicial da chapa para a eleição estadual. Caso o desenho seja mantido até a campanha, Ruas será candidato ao governo tendo o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa, do Progressistas, como vice — nome que havia sido cortejado por Paes, do PSD. Também foram anunciados os pré-candidatos ao Senado: o próprio Castro e o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, do União Brasil. Flávio ainda indicou a mãe, Rogéria Bolsonaro, como futura suplente de Canella. A articulação fortalece o palanque do senador em seu reduto político, base do bolsonarismo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aliado de Paes, enfrenta rejeição elevada. A movimentação ocorreu após o prefeito do Rio consolidar parceria com o MDB e anunciar a irmã do dirigente Washington Reis, Jane Reis, como candidata a vice. O gesto foi visto pela direita como fator que tirou o campo conservador da inércia e acelerou as negociações. Antes da viagem a Brasília, os envolvidos participaram de reunião no Rio na noite de segunda-feira para acertar o desenho da chapa. Já na capital federal, o encontro contou com dirigentes como o senador Bruno Bonetti, presidente municipal do PL, e o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto. — Douglas é uma grande liderança, jovem, policial civil, e realizou um trabalho extraordinário à frente da Secretaria de Cidades do Rio de Janeiro. É uma pessoa respeitada na política e que tem o apoio dos partidos que estão se integrando a esse projeto — disse Flávio após a reunião. Trajetória do pré-candidato Filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, município com o terceiro maior colégio eleitoral do estado, Ruas é visto como ativo importante na região leste metropolitana. O pré-candidato é inspetor concursado da Polícia Civil desde 2013 e se licenciou da corporação em 2019, quando assumiu uma superintendência no Instituto Estadual do Ambiente por indicação de Altineu. Antes de ocupar cargos estaduais, comandou a Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais de São Gonçalo, responsável por convênios que viabilizaram recursos federais e estaduais para o município. Às vésperas da eleição de 2022, quando se elegeu deputado, a cidade estava entre as que mais receberam verbas das emendas de relator, modalidade conhecida como orçamento secreto e posteriormente considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Anunciado agora no campo adversário, Lisboa era até recentemente favorito para ser vice na chapa de Paes, com quem mantém boa relação. Integrantes do Progressistas, porém, criticaram a pressa do prefeito em fechar acordo com o MDB diante das dificuldades de consolidar o apoio partidário, que também depende do União Brasil em razão da federação nacional liderada no estado por Antonio Rueda. Após ser apontado como pré-candidato do PL, Ruas afirmou que a decisão surgiu de consenso entre as lideranças. — A pré-candidatura, para eu colocar o meu nome, dependeria de ser um consenso das lideranças partidárias. Primeiro precisava ter um consenso dentro do PL. Ninguém pode ser candidato de estrelismo — disse. — No PL, especialmente no Rio, nós temos três senadores, um governador e o pré-candidato a presidente da República. Há que se ter um consenso dessas lideranças.