Não é exagero dizer que o Botafogo “joga a vida” hoje, às 21h30, no Nilton Santos, diante do Nacional de Potosí, na partida de volta da segunda fase da Libertadores — a equipe boliviana venceu por 1 a 0 na ida, na altitude. Uma eliminação tão precoce, antes da fase de grupos, não seria apenas um vexame para o campeão do torneio em 2024: representaria derrota ainda maior para os já combalidos cofres alvinegros, impactados pela disputa entre John Textor, Eagle e Ares. Ontem, o americano foi formalmente afastado da holding controladora do Botafogo, que exerceu uma cláusula de proteção ao crédito no fim de janeiro. Mas a mudança não implica automaticamente na troca de controle da SAF alvinegra. Isso porque a gestão, ainda liderada por Textor, só pode ser alterada por decisão do próprio Conselho do clube-empresa ou com a derrubada de uma liminar do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que protege justamente a composição e a estrutura de governança do órgão colegiado. Prova da importância financeira da Libertadores é que o Botafogo recebeu, na era SAF, cerca de US$ 39 milhões (R$ 200 milhões na cotação atual), somando as campanhas de 2024 e 2025, quando foi campeão (US$ 33,3 milhões) e caiu nas oitavas de final (US$ 5,5 milhões) da competição, respectivamente. No ano passado, a Conmebol ofereceu US$ 3 milhões (R$ 15 milhões) só pela participação na fase de grupos, além de US$ 330 mil por vitória (R$ 1,7 milhão). As premiações devem aumentar em 2026. Com o ambiente conturbado e incerto nos bastidores, o time de Martín Anselmi também não vive seus melhores dias. Perdeu seis jogos seguidos, sendo quatro clássicos — para Fluminense (duas vezes), Vasco e Flamengo —, antes de uma equipe alternativa, enfim, vencer por 2 a 0 o Boavista, no domingo, pela semifinal da Taça Rio. Um dos fatores que mais chamam a atenção nessa sequência negativa é a fragilidade do sistema defensivo: foram 12 gols sofridos. Favoritismo alvinegro Sob o comando do treinador argentino, o alvinegro vem atuando com três zagueiros, mas não necessariamente usando jogadores da posição. Na derrota para o Potosí, Barboza, Bastos e Ponte foram os escolhidos para enfrentar a altitude de quase quatro mil metros. Dentro dessa deficiência defensiva, o gol continua sendo grande problema. A posição que, na era SAF, teve John, Lucas Perri e Gatito Fernández atualmente se vê em “maus lençóis” com Léo Linck e Neto. Os dois goleiros se revezam na meta do Botafogo e já falharam mais de uma vez na temporada. Linck deve ganhar a concorrência novamente esta noite. Léo Linck e Neto disputam titularidade no Botafogo Vítor Silva/Botafogo Apesar dos problemas dentro e fora de campo, o alvinegro não deve ter dificuldades para reverter a vantagem do Potosí com o apoio de sua torcida no Nilton Santos. Sem fator altitude,o time de Anselmi é muito superior ao boliviano, que escancarou sua limitação técnica ao desperdiçar uma série de chances em casa e também foi mal defensivamente na partida de ida. O rival na próxima e última fase da pré-Libertadores sai do confronto entre Barcelona de Guayaquil e o Argentino Juniors — que venceu por 1 a 0 no Equador. O jogo de volta também é hoje, às 21h30 (de Brasília).