A nova fase de desdobramentos do escândalo envolvendo o financista americano Jeffrey Epstein, apontado como chefe de uma rede mundial de exploração sexual de menores, ganhou força nos últimos dias com a prisão e posterior liberação sob investigação do ex-príncipe britânico Andrew Mountbatten-Windsor, além de revelações sobre documentos nos Estados Unidos que mencionam o presidente Donald Trump. Caso Epstein: Departamento de Justiça dos EUA removeu arquivos relacionados a Trump sobre abuso de menor, diz Rádio Pública Nacional Veja também: Polícia britânica concede fiança e ex-embaixador Peter Mandelson é solto Investigação contra Andrew Andrew Mountbatten-Windsor, de 66 anos, foi libertado sob investigação na noite de quinta-feira, após passar grande parte do seu aniversário sob custódia policial. A prisão ocorreu na propriedade de Sandringham e está relacionada à apuração de suposto compartilhamento de material confidencial com Epstein. A medida significa que ele não está mais formalmente detido, mas continua sendo alvo de investigação criminal por suspeita de má conduta em cargo público. Até o momento, não há acusações formais apresentadas. Ele nega de forma consistente e veemente qualquer irregularidade. Com a libertação, o caso entra na fase de consolidação de provas. A polícia deve concluir a análise dos materiais apreendidos e encaminhar o conjunto ao Crown Prosecution Service (CPS), que decidirá se há base jurídica suficiente para oferecer denúncia. O processo pode levar semanas. Biblioteca Epstein: saiba como acessar os 3,5 milhões de arquivos liberados pelos EUA sobre o criminoso sexual Andrew permanece sem restrições como toque de recolher ou proibição de viagens, mas pode ser novamente convocado para prestar depoimento. Buscas foram realizadas em endereços em Berkshire e Norfolk, além do Royal Lodge, no Windsor Great Park. O ex-superintendente-chefe Dal Babu afirmou que os investigadores poderão “ter acesso a equipamentos de informática, arquivos, fotografias e qualquer outra evidência” e também “realizar buscas em quaisquer instalações que ele possua ou ocupe, ou quaisquer outras que controle, de modo que pode muito bem haver buscas em outras áreas também”. A suspeita envolve o crime de má conduta em cargo público, que exige comprovação de que o investigado era agente público, agiu deliberadamente ao descumprir dever funcional, abusou da confiança pública e não tinha justificativa razoável. FBI: Documentos de órgão detalham possível destruição de provas e assassinatos em refúgio de Epstein no Novo México Impacto na realeza britânica Andrew é o oitavo na linha de sucessão ao trono britânico, embora seja considerado praticamente impossível que venha a se tornar rei. Uma eventual retirada de seu nome da linha sucessória dependeria de legislação aprovada pelo Parlamento britânico e do aval dos países da Commonwealth que reconhecem o rei Charles III como chefe de Estado. Em comunicado oficial, Charles III declarou receber a notícia da detenção "com profunda preocupação" e afirmou confiar que o processo será conduzido de maneira "justa" e "adequada" pelas autoridades competentes. "Nesse sentido, como já disse anteriormente, eles contam com nosso apoio e cooperação plenos e incondicionais", disse o rei: "Deixo claro: a lei deve seguir seu curso. Enquanto esse processo continuar, não seria apropriado que eu fizesse mais comentários sobre o assunto." Caso Epstein: Arquivos revelam ligações de criminoso sexual com dirigentes e donos de equipes da Fórmula 1 Documentos alterados Nos Estados Unidos, a Rádio Pública Nacional (NPR) informou que o Departamento de Justiça reteve parte de arquivos relacionados ao caso Epstein que mencionavam Donald Trump, além de ter removido temporariamente documentos do banco de dados público. Segundo a reportagem, dezenas de páginas catalogadas não foram divulgadas, incluindo um arquivo com mais de 50 páginas contendo entrevistas do FBI e anotações de conversas com uma mulher que acusou Trump de abuso sexual quando ela era menor de idade. De acordo com os arquivos tornados públicos, o FBI circulou internamente, no fim de julho e início de agosto de 2025, uma lista de alegações relacionadas a Epstein que mencionavam Trump. A maior parte das acusações foi classificada pelos agentes como não verificável ou sem credibilidade. Crise nacional: Em audiência, democratas acusam secretária de Justiça dos EUA de 'acobertamento' do caso Epstein Uma das denúncias, porém, foi encaminhada ao escritório do FBI em Washington para agendamento de entrevista com uma mulher que afirmou que, por volta de 1983, quando tinha cerca de 13 anos, Epstein a apresentou ao então empresário, “que posteriormente forçou sua cabeça em direção ao seu pênis exposto, que ela mordeu. Em resposta, Trump deu um soco na cabeça dela e a expulsou”. Entre mais de três milhões de páginas divulgadas pelo Departamento de Justiça, essa acusação aparece apenas em cópias da lista interna de alegações do FBI e em uma apresentação do próprio Departamento. A Casa Branca enviou nota à NPR afirmando que Trump "foi totalmente exonerado de qualquer coisa relacionada a Epstein". Caso Epstein: E-mail sugere que financista tentou instalar câmeras ocultas em sua casa na Flórida O comunicado acrescenta: "E ao divulgar milhares de páginas de documentos, cooperar com a intimação solicitada pelo Comitê de Supervisão da Câmara, assinar a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein e pedir mais investigações sobre os amigos democratas de Epstein, o presidente Trump fez mais pelas vítimas de Epstein do que qualquer outro antes dele. Enquanto isso, democratas como Hakeem Jeffries e Stacey Plaskett ainda não explicaram por que estavam solicitando dinheiro e encontros com Epstein depois que ele já havia sido condenado por crimes sexuais". Maxwell, Mandelson e novos desdobramentos Única pessoa condenada até agora no escândalo, Ghislaine Maxwell cumpre pena de 20 anos por tráfico sexual de menores. No dia 9 deste mês, ela prestou depoimento a uma comissão que investiga as conexões de Epstein com figuras poderosas, mas permaneceu em silêncio durante a videoconferência. No Reino Unido, o ex-embaixador e ex-ministro Peter Mandelson foi libertado sob fiança após ser detido sob suspeita de má conduta em cargo público. Segundo documentos dos arquivos de Epstein divulgados em Washington, ele teria repassado ao financista informações que poderiam influenciar mercados, especialmente durante o período em que atuou como ministro no governo britânico. Proposta de acordo com vítimas Paralelamente, os administradores do espólio de Jeffrey Epstein propuseram pagar até US$ 35 milhões (cerca de R$ 182,3 milhões) para encerrar processos movidos por dezenas de supostas vítimas. O acordo, apresentado na Justiça Federal de Manhattan, ainda depende de aprovação judicial. O pagamento poderá alcançar o valor máximo caso haja 40 ou mais vítimas elegíveis. Se o número for inferior, o montante cairá para US$ 25 milhões. Epstein foi encontrado morto na prisão em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações federais de tráfico sexual de menores. Sua morte foi considerada suicídio. Desde então, a divulgação de documentos e as investigações em diferentes países continuam a expor conexões com políticos, empresários e celebridades, mantendo o caso no centro do debate internacional.