‘Dragão’ pré-histórico? Fóssil de criatura que viveu há 95 milhões de anos é descoberto no Deserto do Saara

Um crânio fossilizado de proporções impressionantes, descoberto no deserto do Saara, na África, chamou atenção de cientistas e também das redes sociais por lembrar a cabeça de um dragão das lendas. A peça, de tamanho semelhante ao de um adulto, tem mandíbula longa cheia de dentes pontiagudos e um focinho que lembra o de um crocodilo. Descoberta rara na China encontra fóssil de dinossauro herbívoro com pele e espinhos intactos Fóssil de tartaruga de 89 milhões de anos é encontrado nos EUA e revela pistas sobre ecossistemas antigos O fóssil foi identificado por pesquisadores da Universidade de Chicago como pertencente a uma nova espécie de dinossauro, batizada de Spinosaurus mirabilis, nome que pode ser traduzido como “lagarto espinhoso surpreendente”. O animal teria vivido há cerca de 95 milhões de anos, no período Cretáceo, quando a região hoje ocupada pelo Saara era coberta por rios, florestas e áreas alagadas. Além do focinho alongado, o crânio apresenta um grande chifre curvo acima dos olhos e espinhos na parte posterior da cabeça. Uma estrutura óssea de cerca de 50 centímetros se projetava entre os olhos — comparada pelos cientistas a uma cimitarra —, detalhe que ajudou a alimentar comparações com criaturas míticas. Predador adaptado à água Estimativas indicam que o Spinosaurus mirabilis podia atingir cerca de 12 metros de comprimento e pesar entre 4,5 e 6,3 toneladas. Os fósseis sugerem que o animal era capaz de permanecer em águas rasas, de até dois metros de profundidade, enquanto pescava. Os pesquisadores classificam a espécie dentro da família dos espinossaurídeos, grupo de grandes dinossauros carnívoros que apresentavam características semelhantes às de crocodilos, além de uma estrutura em forma de vela ao longo das costas. Esses animais viveram entre aproximadamente 95 e 130 milhões de anos atrás e incluíam predadores conhecidos entre os paleontólogos. A aparência incomum da reconstrução do crânio, porém, provocou reações curiosas na internet. Em comentários nas redes sociais, alguns usuários disseram que a descoberta parecia finalmente comprovar a existência de dragões. Especialistas, no entanto, reforçam que não há evidências científicas de criaturas desse tipo no registro fóssil. Segundo o paleontólogo Paul Sereno, líder da equipe responsável pelo estudo, o momento da identificação foi marcante. Em comunicado, ele relatou que os pesquisadores se reuniram em torno de um laptop no acampamento para observar pela primeira vez a reconstrução da nova espécie. Redescoberta de um local esquecido A descoberta também ajudou a retomar investigações em um sítio fossilífero no atual Níger que havia sido visitado por geólogos franceses nos anos 1950. Na época, apenas um dente isolado havia sido encontrado na região remota, cercada por dunas e distante de estradas ou povoados. Décadas depois, Sereno decidiu voltar ao local com sua equipe. Com a ajuda de um guia tuaregue que dizia conhecer áreas onde ossos apareciam na areia, os pesquisadores conseguiram localizar novamente o ponto e iniciar novas escavações. Os resultados, publicados na revista Science, sugerem que pode haver entre dez e dezessete espécies diferentes de espinossaurídeos. A descoberta recente amplia o conhecimento sobre esses predadores e levanta novas questões sobre como eles se adaptaram a ambientes distantes do litoral. Para os cientistas, o achado pode ajudar a reavaliar a forma como esses dinossauros viviam e se deslocavam em antigas regiões úmidas que hoje se transformaram em deserto. Enquanto isso, para parte do público, a aparência do fóssil continua alimentando a imaginação sobre as origens das histórias de dragões.