O relincho de um cavalo pode soar simples ao ouvido humano, mas esconde um mecanismo vocal complexo. Pesquisadores descobriram que esse som é formado por duas frequências distintas produzidas ao mesmo tempo, um fenômeno raro entre mamíferos. Patógeno fúngico de 'prioridade crítica' identificado pela OMS pode ser ainda mais letal, diz novo estudo Entenda: Estudo reacende debate que erupções solares podem causar terremotos A investigação, publicada na revista Current Biology e citada nesta segunda-feira (23) pela agência Efe, indica que os animais combinam a vibração das cordas vocais com um tipo de assobio gerado na laringe, de forma semelhante ao que acontece quando pessoas cantam e emitem tons simultâneos. Segundo a investigadora Elodie Briefer, da Universidade de Copenhague, cada uma dessas frequências desempenha um papel na comunicação dos equídeos. Os diferentes tons ajudam a transmitir informações sobre o estado emocional do animal. Como o som é produzido Apesar de conviverem com os humanos há mais de quatro mil anos, os cavalos ainda guardam mistérios sobre a forma como se comunicam. Para compreender melhor o relincho, cientistas analisaram a anatomia vocal dos animais, dados clínicos e gravações acústicas, reunindo métodos da medicina veterinária e da física do som. O estudo identificou que o relincho é um caso de bifonação, fenômeno no qual uma vocalização apresenta dois componentes independentes: um grave e outro agudo. Em geral, mamíferos de grande porte produzem sons mais graves, porque o tamanho da laringe acompanha o tamanho do corpo. Os cavalos, porém, fogem parcialmente dessa regra. A parte grave surge da vibração das cordas vocais, mecanismo semelhante ao usado por humanos ao cantar ou por gatos ao miar. Já o tom agudo é gerado por um assobio laríngeo — um fluxo de ar que se forma na própria laringe do animal. De acordo com os pesquisadores, pequenos roedores também conseguem produzir sibilos laríngeos. Nos cavalos, no entanto, o processo ocorre simultaneamente à vibração das cordas vocais, algo até agora inédito entre mamíferos de grande porte. Para David Reby, da Universidade de Lyon/Saint-Étienne e um dos autores do estudo, compreender essa característica ajuda a explicar a diversidade da comunicação vocal entre os mamíferos. Segundo ele, a bifonação pode ter evoluído justamente para permitir que os animais transmitam diferentes mensagens ao mesmo tempo.