O início de projeto da Aston Martin F1 Team para a temporada 2026 da Fórmula 1 está longe do ideal. Com apenas 2.111 quilômetros percorridos nos testes de pré-temporada — contra mais de 21 mil da Mercedes, 16 mil da Ferrari e 10.500 da RBPT-Ford — o AMR26 chega cercado por dúvidas técnicas, especialmente em relação à nova unidade de potência fornecida pela Honda. Caso Epstein: Arquivos revelam ligações de criminoso sexual com dirigentes e donos de equipes da Fórmula 1 Entre os problemas enfrentados, o mais grave foi identificado na bateria, limitando o programa de testes. A falta de velocidade também chamou atenção: o carro ficou quase quatro segundos atrás do melhor tempo registrado por Charles Leclerc na chamada “temporada de inverno”. A situação coloca sob pressão não apenas o motor japonês, mas conceitos estruturais do carro, como o eixo traseiro compacto, a caixa de câmbio proprietária e a filosofia técnica liderada por Adrian Newey. O cenário inevitavelmente remete ao período turbulento entre 2015 e 2017, quando Fernando Alonso viveu três temporadas frustrantes com a parceria entre McLaren e Honda. Na época, a equipe britânica somou apenas 11, 54 e 17 pontos nas três temporadas, acumulando abandonos e resultados modestos. Alonso havia retornado à McLaren após deixar a Ferrari, onde brigou pelos títulos de 2010 e 2012, apostando na reedição da histórica parceria que marcou a era de Ayrton Senna e Alain Prost. Mas o desempenho ficou muito aquém do esperado. Em 2026, porém, o discurso é diferente. Estrutura distinta e aposta no longo prazo Internamente, a Aston Martin sustenta que o contexto é outro. A equipe conta com infraestrutura moderna no campus de Silverstone e um túnel de vento de última geração. Diferentemente da McLaren de uma década atrás, não há, segundo fontes do paddock, conflito cultural ou imposição de prazos incompatíveis com a filosofia japonesa. A própria Honda reconheceu as falhas nos testes do Bahrein e afirmou que já colocou em prática um plano emergencial para resolver os problemas de confiabilidade. A prioridade é garantir estabilidade antes de buscar desempenho. Além disso, a fabricante japonesa carrega no currículo recente os quatro títulos mundiais conquistados por Max Verstappen com a Red Bull Racing. A empresa consolidou base técnica no Reino Unido e manteve DNA competitivo mesmo após a transição para a RBPT-Ford. O maior alerta veio do próprio Adrian Newey. O engenheiro britânico admitiu que o projeto começou em desvantagem. — Estamos com cerca de quatro meses de atraso em relação ao cronograma. O carro só ficou pronto no último minuto — afirmou. Segundo ele, o desenvolvimento entrou no túnel de vento mais tarde que o dos concorrentes, o que comprometeu o período de pesquisa e refinamento aerodinâmico. O foco agora é chegar ao Grande Prêmio da Austrália com um carro confiável, mesmo que ainda distante do desempenho ideal. Para Alonso, o campeonato será uma corrida de recuperação. — Nada que não possa ser consertado. Há tempo para se recuperar. É uma corrida de longo prazo, e a segunda metade da temporada será mais importante — disse o bicampeão.