Um dirigente do time feminino do SCR Altach, da Áustria, teve a pena de sete meses de prisão suspensa e foi multado em 1.200 euros (R$ 7.300) após ser considerado culpado por fazer vídeos e fotos secretas das jogadoras no vestiário, na academia e nos chuveiros do clube. Ele também foi condenado a pagar 625 euros (R$3.800) de indenização para cada vítima. Na sentença do Tribunal Regional de Feldkirch, na Áustria, o juiz afirmou que há uma grande diferença “entre olhar imagens e produzi-las”. Segundo o jornal britânico Guardian, o réu, que não teve a identidade revelada, aceitou a decisão, mas o Ministério Público pode recorrer. Initial plugin text A jogadora Eleni Rittmann, que já defendeu o Altach, criticou a sentença. “Isso me deixa sem palavras. O autor não era apenas árbitro de alto nível na Suíça, mas também dirigente do Altach. E foi lá que ele filmou jogadoras, incluindo menores de idade. Eu me pergunto: essa é uma punição adequada? Também me pergunto se uma punição assim serve de exemplo para outras pessoas. Nós nos sentíamos seguras no nosso vestiário, e isso feriu nossa privacidade de forma tão profunda que algumas de nós ainda não se sentem seguras nem em chuveiros públicos. Para mim, isso não é um sinal forte o suficiente contra algo que não é tolerado na nossa sociedade. A sentença não é definitiva, pois o Ministério Público solicitou mais tempo para avaliar um possível recurso", publicou em sua conta no Instagram. O dirigente trabalhou no clube da primeira divisão austríaca entre 2020 e 2025. Cerca de 30 jogadoras foram identificadas nas gravações e imagens, segundo o promotor. “Somos mulheres jovens, algumas ainda adolescentes. O que aconteceu tirou o chão sob nossos pés. Durante anos, ele nos disse que o vestiário era nossa casa, mas essa casa foi destruída por alguém que acreditávamos fazer parte da família", diz parte da declaração das vítimas lida durante o julgamento. O caso veio à tona em outubro de 2025, após reportagem do jornal local Vorarlberger Nachrichten, e teve grande repercussão no país. À época, a ministra do Esporte, Michaela Schmidt, classificou os crimes como “repugnantes”. “Se atletas mulheres não estão seguras nem em seus próprios vestiários por causa de um dirigente, então elas não têm onde se sentir protegidas”, disse. A defesa do dirigente alegou que foi comprovado que as fotos e vídeos não foram repassados a terceiros e que todo o material foi apreendido e destruído. Conforme a reportagem do Guardian, o homem se dirigiu às vítimas presentes na sala ao fim do julgamento: “Concordo com as declarações feitas pelo meu advogado, mas ainda assim gostaria de expressar minha solidariedade a todas as pessoas afetadas e pedir desculpas pelas minhas ações.”