Governo do DF diz que está 'disposto' a colaborar com BRB, mas que banco negocia soluções de mercado

O governo do Distrito Federal (GDF) afirmou nesta quarta-feira que está "disposto" a colaborar com a "construção de alternativas" para reforçar o capital do BRB após o buraco causado pelas operações com o Banco Master, mas destacou que a instituição estatal segue negociando soluções de mercado. Nesta terça, o GDF enviou um substitutivo do projeto que autoriza um cardápio de alternativas para reforçar a estrutura financeira do BRB. "O BRB segue negociando soluções no mercado e o envio do projeto demonstra que o GDF está disposto a colaborar na construção de alternativas que assegurem a estabilidade e a continuidade das atividades da instituição. Como acionista controlador, o Distrito Federal tem o dever de zelar pela solidez patrimonial da instituição e assegurar o cumprimento dos requisitos prudenciais", disse, em nota. A nova versão do projeto elenca entre as opções para reforçar o capital do BRB a tomada de um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ou com instituições financeiras. Além disso, reduz de 12 para 9 o número de imóveis disponíveis para serem usados vendidos ou usados como garantia nas potenciais operações financeiras. O GDF destaca que o projeto a nova lista de bens foi selecionada a partir de critérios técnicos de mercado, com a participação de técnicos da Terracap, estatal imobiliária, considerando a viabilidade jurídica e a possibilidade de integração a soluções estruturadas junto ao sistema financeiro. Após polêmica, foram retiradas da lista, por exemplo, áreas do Parque do Guará. Além disso, o governo explica que o projeto não determina a venda automática de imóveis, mas autoriza o Executivo a adotar medidas com base em critérios técnicos, avaliação prévia de mercado, respeito à legislação urbanística e ambiental e observância do interesse público. "Não é correta a relação de que os imóveis tenham sido reunidos porque seu valor corresponderia a eventual prejuízo do banco. As auditorias do BRB ainda não foram concluídas e, portanto, não é possível indicar valor exato de eventual impacto financeiro", completou. Como mostrou o GLOBO, emissários do governador Ibaneis Rocha (MDB) estão se reunindo com executivos dos maiores bancos do país para avaliar a viabilidade de um empréstimo para capitalizar o banco, já que o não tem recursos suficientes em caixa. O governo, no entanto, nega as tratativas. O BRB está com um buraco no balanço devido as operações com o Master. Em troca das carteiras de crédito fraudulentas no valor de R$ 12,2 bilhões, o banco estatal recebeu ativos do Master, mas há dúvida sobre sua qualidade. O BC já indicou que a instituição do DF deve ter que provisionar ao menos R$ 5 bilhões. Como esse valor é maior do que o próprio patrimônio líquido do BRB, de R$ 4 bilhões no segundo trimestre de 2025 (último resultado conhecido), os passivos do banco devem superar os ativos, o que significa um desenquadramento das regras prudenciais e exige um plano de readequamento, que terá de ser apresentado junto com os resultados. O prazo final é 31 de março. Por isso, é considerado inescapável um aporte do Distrito Federal, acionista controlador do BRB, para equacionar o problema patrimonial, que se torna maior na medida que o tempo passa. De acordo com fontes da Faria Lima, as tratativas para a concessão do empréstimo ao DF têm avançado e há otimismo com um desfecho positivo.