A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, nesta quarta-feira, por unanimidade, os irmãos Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio (TCE-RJ), e Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, sob a acusação de planejar o homicídio da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Gomes. Eles também foram considerados culpados pela tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves. Ao todo, os réus foram sentenciados a 76 anos e três meses de prisão, e o resultado repercutiu de formas distintas entre a esquerda e a direita na política nacional. Saiba as penas dos condenados pelo assassinato de Marielle e Anderson Gomes STF condena por unanimidade irmãos Brazão a 76 anos e três meses de prisão pelo assassinato de Marielle Os ministros também condenaram Ronald Paulo Alves Pereira pelo duplo homicídio e pela tentativa de homicídio. Robson Calixto, o Peixe, foi condenado por organização criminosa. Já Rivaldo Barbosa, o quinto réu, foi condenado por obstrução da Justiça e corrupção passiva. Como a condenação repercutiu na esquerda O assassinato de Marielle e Anderson ganhou repercussão em diferentes partes do Brasil e do mundo. A linha do tempo das investigações, acusações e julgamentos foi acompanhada ao longo de oito anos, até o desfecho no STF, na tarde desta quarta-feira. Assim que as condenações foram anunciadas, diversas lideranças da esquerda se manifestaram nas redes sociais. Entre elas, Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial e irmã de Marielle; Monica Benicio, vereadora (PSOL) e viúva; entre outros nomes. Anielle Franco A ministra esteve presente na sede do STF desde o início do julgamento dos acusados pelo assassinato de Marielle e Anderson, na manhã de terça-feira. Ao longo do processo, atualizou suas redes sociais com informações até a divulgação do resultado. Além de publicar em seu perfil, utilizou os stories para compartilhar um abraço com a sobrinha Luayara Franco — filha de Marielle — e escreveu palavras de desabafo. “Foram oito anos de espera por justiça por Marielle e Anderson. Nada vai trazer a Mari de volta, mas honrar sua memória e seu legado é uma missão de vida. Justiça por Marielle, Anderson e todas as vítimas de violência”, escreveu. Monica Benicio Julgamento do caso Marielle: vereadora Monica Benicio e Marielle Franco (PSOL) Reprodução Monica Benicio publicou uma foto com Marielle e utilizou a legenda para manifestar seus sentimentos em relação à condenação. “Sim, hoje, e sempre, mais uma vez”, escreveu. “Temos as respostas sobre sua morte. Obrigada ao mundo inteiro que se mobilizou para isso. Agora temos toda a sua vida como inspiração”, compartilhou. Outras lideranças Renata Souza foi uma das parlamentares que participaram de um ato cobrando justiça por Marielle e Anderson na sessão ordinária da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), na tarde de terça-feira. Após a confirmação da condenação dos mandantes do crime, também se manifestou nas redes sociais. — Não é alívio, mas é um pouco de justiça em meio a tanta desesperança. Por Marielle, por Anderson, por Fernanda, por todas nós, mulheres negras que ousam sonhar e lutar por um mundo mais justo e digno — afirmou. Initial plugin text A parlamentar disse ter recebido a decisão com um “misto de justiça e tristeza”, reconhecendo que a condenação não trará as vítimas de volta, mas ajuda a “mostrar um pouco do país que a gente quer”. Além de colega e amiga, Renata integrava o gabinete de Marielle à época do crime. Já a deputada federal Erika Hilton, além de informar seus seguidores sobre as condenações, afirmou que a decisão “ainda não é justiça”. Ela criticou o mandato de Chiquinho Brazão na Câmara e a permanência de Domingos Brazão no cargo de conselheiro do TCE-RJ. O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, e os deputados federais Tarcísio Motta e Chico Alencar, que estiveram no STF nos dois dias de julgamento, também demonstraram satisfação com a condenação. Outros nomes da esfera estadual e nacional se manifestaram. Como a condenação repercutiu na direita Diferentemente do que ocorreu entre lideranças da esquerda, não houve manifestações públicas nos perfis de políticos de direita. Nem mesmo o deputado estadual Rodrigo Amorim (União), que protagonizou a quebra de uma placa não oficial em homenagem à vereadora, comentou o caso. Em outubro de 2018, Amorim retirou o objeto colocado por manifestantes sobre a placa que indicava a Praça Marechal Floriano, em frente à Câmara Municipal do Rio, alegando estar “restaurando a ordem”. O governador Cláudio Castro também não se manifestou, postura semelhante à adotada por integrantes da família Bolsonaro e outras lideranças da direita. Por outro lado, familiares de Domingos e Chiquinho Brazão se posicionaram ao longo dos dois dias de julgamento. Manoel Brazão, irmão mais velho dos réus, foi um dos mais ativos nas redes sociais, assim como Stephany Brazão, nora de Chiquinho, Kaio Brazão e Leo Brazão. “Não é possível que nosso país virou uma ditadura onde ele decide o que fazer com a vida das pessoas. Isso não existe”, publicou Stephany. Montagens com imagens dos ministros da Primeira Turma do STF e a mensagem “Injustiça com os irmãos Brazão” também foram compartilhadas. Outras manifestações Organizações como o Instituto Marielle Franco e a Anistia Internacional também se pronunciaram. A entidade internacional afirmou que o julgamento dos responsáveis por um crime contra uma defensora de direitos humanos representa um marco no combate à impunidade política, mas também evidencia falhas do Estado. Já o Instituto Marielle Franco, organização sem fins lucrativos criada pela família da vereadora para preservar seu legado, buscar justiça e fortalecer a atuação política de mulheres negras, periféricas e pessoas LGBTQIA+, utilizou as redes sociais em tom de desabafo. “Depois de quase oito anos de luta incansável das famílias, das mulheres negras, das favelas e de todas as pessoas que se recusaram a esquecer, o Brasil dá um passo histórico.” Initial plugin text