Flávio busca contornar mal-estar com Nikolas em reunião do PL

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) buscou nesta quarta-feira contornar o mal-estar recente com o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) durante reunião da bancada do partido, em Brasília. Após trocarem elogios públicos ao longo do encontro, os dois ainda tiveram um tête-à-tête como um gesto de distensão após críticas feitas por aliados do clã Bolsonaro ao deputado mineiro, incluindo o irmão do senador, o ex-deputado Eduardo. Segundo relatos de participantes, Flávio fez questão de destacar a presença de Nikolas diante da bancada e elogiou sua atuação política. — Quero agradecer especialmente ao Nikolas, que está aqui do meu lado. Mesmo com as dificuldades que Juiz de Fora está enfrentando, ele fez questão de estar aqui com a gente hoje — afirmou o senador. Ao final da fala, Flávio fez ainda um gesto de afago no parlamentar, movimento interpretado por presentes como tentativa de demonstrar unidade interna após os ruídos recentes dentro do partido. Por sua vez, Nikolas afirmou a aliados que nada irá separá-lo de Flávio. Os dois conversaram reservadamente e seguiram juntos para um jantar com parlamentares da bancada. No fim de semana, Eduardo Bolsonaro afirmou que Nikolas não estaria se comprometendo suficientemente com a pré-campanha presidencial. Reorganização interna e outros recados políticos A reunião da bancada a portas fechadas ocorreu em meio a um processo de reorganização interna do bolsonarismo e discussão sobre as estratégias eleitorais do PL para 2026, especialmente nas disputas ao Senado — consideradas prioridade pela legenda. Logo na abertura, o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, sinalizou os nomes que o PL pretende impulsionar nas disputas estaduais e citou a deputada Carol De Toni (SC) e o vereador Carlos Bolsonaro (RJ) como candidatos ao Senado. Também mencionou o deputado Hélio Lopes (RJ), afirmando que ele deverá disputar uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU). O encontro ocorreu sem a presença da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que não tem participado das agendas políticas do enteado, hoje apontado dentro do partido como pré-candidato à Presidência da República. Nos bastidores, interlocutores apresentam versões distintas para a ausência: aliados afirmam que Michelle tem se dedicado aos cuidados com o ex-presidente Jair Bolsonaro durante o período de prisão, enquanto integrantes da sigla avaliam que ela vem sendo gradualmente afastada das articulações políticas mais recentes. O senador tentou afastar qualquer rumo de intriga com a ex-primeira-dama e chegou a citá-la como aliada em pelo menos duas ocasiões. Em coletiva após ser anunciada pré-candidata ao Senado em Santa Catarina, Carol De Toni atribuiu a ausência à visita feita por Michelle ao ex-presidente. — Ela não pode estar presente porque foi visitar Bolsonaro — afirmou. Durante a reunião, Flávio também reconheceu resistências internas à decisão que consolidou seu papel nas articulações nacionais do partido. — Há três meses a gente estava aqui conversando e eu sei que ainda existem muitos olhares de desconfiança, muitos questionamentos sobre se a decisão tomada estava certa ou errada — disse. O senador afirmou ainda que sua atuação política não estaria ligada a ambições pessoais: — Eu não estou nisso por ambição pessoal ou porque meu pai quis. Eu acredito que esse é um projeto de Deus. Senado no centro da estratégia Líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN) defendeu aos parlamentares que o partido concentre esforços na conquista da maioria das cadeiras em 2026. — Precisamos eleger a maioria do Senado. Para restabelecer a democracia brasileira, precisamos de um Senado altivo, que fiscalize — afirmou aos presentes. Nos bastidores, parlamentares relataram que o encontro teve como objetivo reduzir ruídos internos e alinhar o discurso do partido diante das disputas dentro do próprio campo bolsonarista.