Relacionamentos abertos têm ganhado cada vez mais visibilidade entre jovens adultos, especialmente nas redes sociais, onde casais não monogâmicos compartilham suas experiências e benefícios. Entre os relatos mais frequentes estão maior satisfação sexual, múltiplos vínculos afetivos profundos e uma sensação de liberdade emocional que foge às restrições da monogamia tradicional. Apesar da popularidade online, colocar o modelo em prática ainda é um desafio para muitos. Afinal, será que realmente vale a pena aderir a essa forma de relacionamento? Por que você quer um romance? Estudo revela cinco motivações para se buscar o amor Descubra por que homens e mulheres maduros se relacionam com parceiros mais jovens Pesquisas indicam que a sociedade continua dividida sobre o tema. Um levantamento do Pew Research Center com cerca de 5 mil adultos nos Estados Unidos apontou que 37% consideram os casamentos abertos totalmente inaceitáveis. Ainda assim, a aceitação é maior entre os mais jovens: aproximadamente metade dos entrevistados entre 18 e 29 anos se mostrou favorável a esse modelo. O estudo também analisou por que muitos retornam à monogamia após experiências com relacionamentos abertos. A principal razão está ligada à própria biologia: a maioria das pessoas não consegue nutrir sentimentos profundos por mais de uma pessoa simultaneamente. Além disso, a gestão de múltiplos parceiros demanda tempo e energia extras, assim como uma comunicação intensa e constante, elementos fundamentais que levam muitas vezes ao desgaste emocional. Outro fator identificado pelos pesquisadores é a expectativa de que a abertura sexual possa resolver problemas do casal. Na prática, porém, o poliamor tende a intensificar conflitos já existentes, como diferenças de libido, ciúme e tédio, que também surgem em relações monogâmicas. "Os desafios de um relacionamento aberto muitas vezes refletem os mesmos obstáculos da monogamia, apenas em uma escala diferente", afirma o relatório. Para que a não monogamia funcione, especialistas destacam que diálogo e transparência são essenciais. Segundo o médico e terapeuta sexual João Borzino, "a base de qualquer relação aberta é a honestidade total: é preciso expressar de forma clara desejos, intenções e limites, permitindo que cada parceiro escolha livremente se concorda ou não com as regras estabelecidas". Borzino ressalta ainda que a comunicação constante ajuda a equilibrar interesses individuais e coletivos. "Relacionar-se envolve abrir mão parcialmente das próprias vontades para preservar a parceria e o bem-estar do outro. Esse cuidado é ainda mais importante em relações não monogâmicas, onde o entendimento mútuo é fundamental para a cooperação e a harmonia", conclui o especialista.