Coincidências unem o ator Rafael Aragão, que a partir de hoje estrela, no Sesc Ginástico, o musical “O adorável trapalhão”, e o personagem que ele vive no palco, Renato Aragão. Além, é claro, do sobrenome, os dois nasceram no Ceará, que deixaram para ir atrás do sonho artístico. No caso de Renato, essa mudança aconteceu há quase 70 anos, e deu tão certo, que ele entrou para a História como o eterno Didi Mocó. Veja a programação: Theatro Municipal abre temporada 2026 com concerto em homenagem a Mozart Teatro: 'Carmina Burana ballet', que une dança e tecnologia, chega ao Rio Com direção de José Possi Neto e texto de Marília Toledo, a peça chega ao Rio após temporada em São Paulo e percorre a trajetória do comediante, da infância em Sobral ao auge como Didi, ao lado de Dedé, Mussum e Zacarias (interpretados por Thadeu Torres, Rupa Figueira e Vicenthe Delgado). Atores caracterizados para a peça "Adorável trapalhão" Divulgação/Melina Knolow — Sou de uma geração que foi praticamente criada pela televisão. E contar a trajetória dos trapalhões é falar sobre a História da televisão brasileira — conta Rafael, idealizador e protagonista da peça, em entrevista ao GLOBO. E, apesar do sobrenome e da admiração, foi somente durante a pesquisa para a montagem que o ator descobriu que tem, sim, parentesco com o humorista. — Quando comecei a atuar, muita gente perguntava se eu era filho dele. Passei 40 anos negando que tínhamos parentesco, e agora, todo o meu castelo de areia desmoronou — brinca. Durante o processo de pesquisa para a montagem do espetáculo, Rafael conversou com o comediante e com a esposa, Lilian, e foi ali que perceberam que as famílias, de fato, se cruzavam. – O Renato só disse: "É isso, acabou, você é nosso sobrinho". Agora, só chamo ele de tio. Rafael divide o palco com cerca de 20 atores, incluindo o próprio Renato, que, aos 91 anos, faz uma participação especial no fim do espetáculo. A presença marca o retorno do comediante aos palcos como ator, após um período afastado desde antes da pandemia. Rafael Aragão interpreta Renato Aragão nos palcos Divulgação/Pedro Dimitrow — Eu amo estar perto do meu público, receber carinho e trocar essa energia que me faz muito bem. Saber que eles gostam do Didi me enche de alegria. Continuo me emocionando em tudo o que faço — conta Renato ao GLOBO, e se diz “transbordando de gratidão”. A montagem alterna momentos da vida pessoal e profissional do comediante, desde a gênese com o programa “Os adoráveis trapalhões”, exibido pela TV Excelsior entre 1966 e 1968. Anos depois, surgiria “Os trapalhões”, na formação que consagrou o quarteto, e que para Rafael, representava "a cara do Brasil": um retirante nordestino, um sambista carioca da gema, um galã e um mineiro do interior. A peça também traz canções originais de Marco França e Fernando Suassuna, e direção musical de Diego Salles. Para o ator, mais do que uma homenagem, o musical celebra uma história de superação e sucesso que se confunde com a da própria televisão brasileira. "Adorável trapalhão — O musical" Onde: Teatro Sesc Ginástico, Centro. Quando: Qui e sex, às 19h; sáb e dom, às 17h. Até 19 de abril. Estreia hoje. Quanto: R$ 60 (inteira). Classificação: Livre.