11 produções de Ryan Murphy que valem a pena maratonar

O fascínio do público por tragédias reais envelopadas em luxo não é novidade, mas Ryan Murphy elevou isso a outro patamar com Love Story. Ele aplica um "hiper-realismo estilizado" que pega histórias conhecidas — como o romance de JFK Jr. e Carolyn Bessette-Kennedy — e injeta uma dose cavalar de estética e tensão. Murphy é um dos profissionais mais versáteis da indústria hoje, justamente por subverter expectativas e dar um tom de desconforto para quase tudo o que produz. Seja no drama jurídico de All’s Fair (que não foi tão bem de crítica assim), na sátira de Scream Queens ou no horror visceral de AHS, suas produções são facilmente reconhecíveis pelas paletas de cores saturadas, elencos estelares e uma obsessão por personagens que vivem no limite entre a perfeição e o colapso. Essa assinatura visual começou a ser desenhada lá atrás, em Nip/Tuck, e se expandiu para fenômenos como Glee e a premiada Pose. Mais recentemente, ele mergulhou no lado mais sombrio da psique humana com a antologia Monster e o suspense religioso de Grotesquerie, além de flertar com a ficção científica em The Beauty. Selecionamos as 11 produções essenciais para entender a trajetória do homem que transformou o bizarro no novo padrão de luxo da TV. Selecionar uma imagem American Horror Story (AHS) O pilar que sustenta todo o império. Com 12 temporadas e contando, esta antologia de terror mudou a forma como consumimos o gênero na TV, focando no "estilo acima de tudo". Cada temporada é um pesadelo novo: de casas assassinas a cultos políticos e asilos sombrios. Foi aqui que Murphy construiu sua "trupe" de atores fetiche, tornando Sarah Paulson e Evan Peters nomes onipresentes na cultura pop. A série também é famosa por trazer ícones improváveis, como Lady Gaga, Jessica Lange, Kathy Bates e, mais recentemente, Kim Kardashian. É o parque de diversões bizarro onde Ryan testa todos os seus limites. Monster Se AHS é o terror fantástico, Monster é o horror humano e clínico. Esta antologia de "true crime" foca nos assassinos mais perturbadores da história, começando pelo fenômeno Dahmer, passando pelos irmãos Menendez e chegando agora em sua 3ª temporada com a história de Ed Gein. A série é responsável por performances viscerais que limpam as premiações, como a de Evan Peters (Dahmer) e os novatos Cooper Koch e Nicholas Alexander Chavez (Menendez), além de trazer o peso de Charlie Hunnam e Javier Bardem. É uma produção densa, difícil de assistir, mas impossível de ignorar pelo seu comentário sobre falhas sistêmicas e psicopatologia. American Crime Story A irmã mais intelectual e prestigiada de todas as produções. Com 3 temporadas focadas em eventos que sacudiram a sociedade americana — o julgamento de O.J. Simpson, o assassinato de Gianni Versace e o impeachment de Bill Clinton —, a série foge do choque gratuito para entregar um drama político e jurídico de altíssimo nível. O elenco é sempre estelar: Sarah Paulson (irreconhecível como Marcia Clark e Linda Tripp), Darren Criss (em sua melhor performance como Andrew Cunanan), Penélope Cruz, Beanie Feldstein e Cuba Gooding Jr.. Pose O coração pulsante da filmografia de Ryan Murphy. Encerrada com 3 temporadas, a série é um marco histórico por ter o maior elenco de atrizes trans da história da TV, focando na cultura dos bailes (ballroom) de Nova York entre os anos 80 e 90. Além da estética exuberante, a série entrega humanidade e urgência política. Billy Porter se tornou um ícone absoluto aqui, ao lado de estrelas como Michaela Jaé Rodriguez, Indya Moore e Dominique Jackson. É vibrante, emocionante e visualmente impecável, servindo como uma aula de história LGBTQIA+ embalada em figurinos de tirar o fôlego. Glee O surto coletivo mais lucrativo da TV. Ao longo de 6 temporadas, Murphy misturou musical, comédia ácida e drama adolescente em uma fórmula que redefiniu o consumo de música digital. Embora hoje seja vista com um olhar mais cínico, a série lançou Lea Michele ao estrelato global e transformou nomes como Chris Colfer, Darren Criss e a eterna Jane Lynch em rostos domésticos. É onde Ryan refinou seu talento para o deboche e para a manipulação emocional, criando uma legião de fãs que ainda hoje discutem os bastidores caóticos dessa produção. Nip/Tuck Onde o "estilo Murphy" nasceu. Exibida entre 2003 e 2010, com um total de 6 temporadas, a série foca em dois cirurgiões plásticos em Miami. É crua, sexual, bizarra e extremamente profética sobre a nossa atual obsessão por procedimentos estéticos. Julian McMahon e Dylan Walsh ancoram a série, que contava com participações de luxo e roteiros que flertavam com o surrealismo. Para quem quer entender as raízes do horror corporal e da obsessão pela beleza que Ryan explora até hoje, Nip/Tuck é a maratona obrigatória. Scream Queens Puro camp e sátira slasher. Com apenas 2 temporadas, a série se tornou um clássico cult instantâneo. É Murphy tirando sarro de todos os clichês de filmes de terror adolescente em uma universidade. O elenco é um sonho para qualquer fã de cultura pop: Emma Roberts como a lendária Chanel Oberlin, Jamie Lee Curtis, Lea Michele, Abigail Breslin e participações de Ariana Grande e Nick Jonas. É ácida, fashionista e propositalmente fútil, feita sob medida para o público que consome moda e memes na mesma proporção. Ratched Uma prequela visualmente deslumbrante para Um Estranho no Ninho. Com 1 temporada (e o cancelamento da segunda), a série foca nas origens da enfermeira Mildred Ratched. É um deleite para os olhos, com uma direção de arte em tons de verde e technicolor que parece saída de um filme de Hitchcock. Sarah Paulson lidera com maestria, dividindo a tela com Cynthia Nixon, Sharon Stone e Finn Wittrock. The Beauty A aposta mais recente de 2026 no gênero de ficção científica e horror corporal. A trama gira em torno de uma IST que transforma as pessoas em versões fisicamente perfeitas de si mesmas, mas que acaba sendo fatal. Com 1 temporada que já causou barulho, a série traz de volta o queridinho Evan Peters no papel de um agente do FBI, além de Rebecca Hall e a estreia bombástica da supermodelo Bella Hadid. É um comentário ácido sobre a indústria da moda, com participações de Meghan Trainor e Ashton Kutcher. É o Murphy voltando a falar sobre a dor da perfeição. Grotesquerie Uma incursão mais sombria e quase religiosa no horror. Com 1 temporada, a série foca em uma detetive (interpretada pela excelente Niecy Nash-Betts) que sente que os crimes que está investigando são pessoais e quase sobrenaturais. O elenco conta com o jogador Travis Kelce em sua estreia como ator, além de Courtney B. Vance e Lesley Manville. É uma série que foge do brilho excessivo para focar em sombras, mistério e uma atmosfera de fim de mundo, provando que Ryan ainda consegue criar suspense puro sem precisar de lantejoulas. All’s Fair O drama jurídico de luxo que todos esperavam. Situada em uma firma de advocacia de divórcios composta apenas por mulheres em Los Angeles, a série é descrita como "fun, sexy e fabulosa". Com 1 temporada recém-lançada, o elenco é um verdadeiro powerhouse: Kim Kardashian, Naomi Watts, Niecy Nash-Betts, Sarah Paulson e Glenn Close. Aqui, o diretor mergulha no mundo das mulheres poderosas, dos divórcios de bilhões de dólares e, claro, de um figurino impecável que serve como protagonista à parte. Canal da Vogue Quer saber as principais novidades sobre moda, beleza, cultura e lifestyle? Siga o novo canal da Vogue no WhatsApp e receba tudo em primeira mão!