Na indústria de cruzeiros atual, os navios costumam chamar atenção pelo que trazem a bordo. Complexos de toboáguas tão grandes como os de parques aquáticos em terra firme, brinquedos radicais a mais de 30 metros de altura, áreas temáticas imersivas e espetáculos com nível de Broadway, Las Vegas ou Orlando. Quem navega no Explora II, no entanto, não encontra nada disso. A grande atração é o oceano. Praia privativa e mordomo: conheça os luxos do primeiro cruzeiro cinco estrelas do mundo Balanço radical e cerveja de água do mar: como é o navio de cruzeiros MSC World America Não que falte algo ao navio, o segundo da frota da Explora Journeys, companhia de cruzeiros de alto padrão do grupo MSC. Pelo contrário, sobram ótimos bares e restaurantes, lugares ao redor das cinco piscinas aquecidas e tripulantes (há quatro para cada cinco passageiros) atentos aos mínimos detalhes. A bordo da embarcação, com capacidade máxima de 992 hóspedes e onde todas as 461 cabines têm varandas com vista para o mar, percebe-se que o verdadeiro luxo é ter tranquilidade e espaço, algo cada vez mais raro nos meganavios modernos. — Queremos que as pessoas vivam intensamente a experiência de estar no mar, mas, ao mesmo tempo, se sintam em casa. E isso vai desde a decoração das cabines às atividades propostas, que sempre valorizam o relaxamento e a convivência entre as pessoas — explica a capitã do Explora II, Serena Melani, primeira mulher a comandar uma viagem inaugural de um navio de cruzeiros, em 2020, com o luxuosíssimo Seven Seas Splendor. Mercado em crescimento A armadora, que lançou seu primeiro navio em 2023, começará a operar seu terceiro, o Explora III, em julho, e planeja dobrar sua frota até 2028. O crescimento faz sentido diante do bom momento do segmento de cruzeiros de luxo. De acordo com uma pesquisa realizada pela associação de agências de viagem Virtuoso, o número de reservas de cruzeiros de alto padrão cresceu 43% em 2025, em relação ao ano anterior. Outro levantamento, divulgado pela ILTM Cannes, a principal feira para o mercado de luxo, mostrou que 59% dos turistas com altíssimo poder aquisitivo já realizaram uma viagem marítima, e que outros 25% gostariam de fazer o mesmo em breve. Números que justificam até mesmo o interesse de grifes hoteleiras como Aman, Four Seasons, Waldorf Astoria e Ritz-Carlton em ter versões navegantes de seus cinco estrelas. Dentro deste nicho, é comum encontrar pacotes a partir de R$ 25 mil por pessoa, em cabine dupla. Este é o valor que se paga, por exemplo, para uma viagem de sete noites pelo Caribe, com saída e chegada em Miami, a bordo do Explora II. Para termos de comparação, é cerca de cinco vezes mais caro que o que se paga, por pessoa, para fazer uma viagem com a mesma duração e saindo do mesmo porto, a bordo do MSC World America, o mais moderno navio do grupo. O passageiro começa a entender a diferença de preço assim que pisa no navio, que apesar de ainda estar cheirando a novo, com menos de dois anos de operação, exala ares tradicionais. Seja por fora, com um visual mais sóbrio, ou por dentro, com ambientes mais elegantes e aconchegantes. A tarifa inclui, por exemplo, refeições em cinco dos seis restaurantes a bordo: Sakura (pan-asiático), Marble & Co (carnes), Med Yacth Club (cozinha mediterrânea), Fil Rouge (francês) e Emporium Marketplace, a versão da Explora para o tradicional bufê de cruzeiro, com estações variadas, que vão de sushi a pizza, passando por grelhados, massa, saladas, charcutaria e frutos do mar. Apenas o Anthology, que oferece alta gastronomia italiana e eventualmente recebe colaboração de um chef com estrela Michelin, é pago à parte. Também estão incluídas quase todas as bebidas servidas nos restaurantes e nos 12 bares e lounges. Isso significa que a qualquer hora do dia é possível tomar uma taça de champanhe, um vinho italiano, uma cerveja jamaicana ou um drinque exclusivo do navio sem se preocupar com custos adicionais. Entre esses espaços, alguns funcionam como ponto de encontro quase diário, como o agradável Crema Café, onde trabalham os melhores baristas a bordo. Em exposição E para quem não quer apenas comida, há também arte a bordo. No deque 5, a Galleria D’Arte é um corredor usado para exposição de quadros e esculturas com curadoria da galeria Clarendon Fine Art, baseada em Londres. Dependendo do roteiro, o passageiro poderá encontrar peças de artistas como Marc Chagall e Salvador Dalí, e, dependendo da folga no orçamento, poderá levar para casa alguma das obras expostas, como um relógio dourado derretendo, feito pelo mestre surrealista catalão, a módicos US$ 270.275. Especialistas da própria galeria costumam dar palestras sobre os artistas e seus movimentos. O cardápio de seminários a bordo, aliás, é vasto, e oferece tanto dicas de passeios nos destinos visitados (muitos deles fora do roteiro dos navios maiores) quanto informações sobre relógios com preços de apartamento na Zona Sul. O navio também se destaca pela oferta de espaços ao ar livre, especialmente ao redor das cinco piscinas, sendo uma, The Conservatory, no 11º andar, com teto retrátil. As duas melhores, no entanto, ficam ao ar livre, na parte traseira do navio: no deque 10, a Atol oferece um belo visual do alto; no deque 5, a Astern, com borda infinita, dá a sensação de que se está nadando no próprio mar. Ali, com o sol caindo no horizonte, não há quem sinta falta de toboágua ou coisa parecida. Eduardo Maia viajou a convite da Explora Journeys