Servidores do IBGE denunciam exonerações por divergências técnicas

Preocupações sobre a condução do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vieram à tona depois de uma carta aberta, assinada por cerca de 400 servidores, questionar exonerações recentes. + Leia mais notícias de Política em Oeste O grupo alega que a retirada de 20 funcionários de cargos estratégicos, seja por determinação ou por pedido, ocorreu em razão de divergências técnicas e de compliance com a administração vigente. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por ASSIBGE Sindicato Nacional (@assibgesn) Segundo o documento, essas substituições sistemáticas de profissionais experientes em áreas-chave, em momentos considerados críticos, têm ocorrido sem justificativa técnica clara à sociedade. Para os servidores, tal prática acarreta fragilidade à estabilidade técnica e à memória institucional do IBGE, elementos que sempre caracterizaram o órgão. Rupturas institucionais e impactos na governança do IBGE Logo do IBGE, em uma parede| Foto: Geraldo Magela/Agência Senado A carta destaca que a deterioração institucional não acontece de maneira abrupta, mas, sim, por uma sucessão de pequenas rupturas. "Instituições não se desconstroem de uma vez", alerta o texto. "Desgastam-se por sucessivas fissuras." Em fevereiro, o Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu pela extinção da Fundação IBGE+, criada em julho de 2024 como entidade público-privada para captar recursos extras ao IBGE. A iniciativa, que buscava ampliar o financiamento para pesquisas e inovação diante do limite orçamentário federal, enfrentou resistência do quadro técnico, que mostrou riscos à confidencialidade dos dados e à sobreposição de pesquisas. https://www.youtube.com/watch?v=GzOTwtGFaEI Depois de críticas e da suspensão da iniciativa no início de 2025, a determinação do TCU selou o encerramento definitivo da fundação. A gestão do presidente Marcio Pochmann, empossado em agosto de 2023, enfrenta turbulências desde meados de 2024, com discussões intensificadas em torno da chamada “IBGE paralelo” e de outros projetos, como o Programa Nacional de Inteligência e Governança Estatística e Científica para Políticas Públicas Preditivas, alvo de receios quanto à mistura de estatísticas e previsões. O documento ressalta que a credibilidade do IBGE impacta não apenas o próprio instituto, mas também a formulação de políticas públicas, o planejamento orçamentário, as relações federativas e a segurança jurídica nacional. Leia também: "Um retrato de cabeça para baixo" , artigo de Eugênio Esber publicado na Edição 308 da Revista Oeste "Se a credibilidade do IBGE é tensionada, não se fragiliza apenas o Instituto", afirmaram os servidores na carta, que conta com o respaldo do sindicato ASSIBGE e da DAPIBGE, entidade dos aposentados do IBGE. "Fragilizam-se também políticas públicas, decisões orçamentárias, relações federativas e a própria segurança jurídica do Estado brasileiro." O post Servidores do IBGE denunciam exonerações por divergências técnicas apareceu primeiro em Revista Oeste .