O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta quinta-feira que a proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da jornada de trabalho no modelo 6x1 poderá ser votada pelo plenário da Casa até maio. Segundo ele, há ambiente político para a aprovação da medida, desde que a discussão avance após a análise dos impactos econômicos e sociais do texto. Em entrevista ao portal Metrópoles, Motta afirmou que a tramitação da proposta busca equilibrar a pressão social pela redução da jornada com a necessidade de avaliar efeitos sobre empresas e empregos. — A matéria está sendo construída com responsabilidade, avaliando todos os impactos. É possível que possamos votar essa PEC até maio — disse. O presidente da Câmara também rebateu avaliações de que a escolha por uma PEC em vez de um projeto de lei teria como objetivo reduzir o protagonismo do governo federal no debate. Segundo ele, a decisão atende apenas ao rito legislativo. — Não é disputa por protagonismo. É garantir o canal legislativo correto, dando vez e voz a todos os impactados para que possamos avançar em uma pauta que dialogue com a maioria da sociedade — afirmou. O presidente afirmou que vê chances de aprovação ao projeto, que classificou como a “reforma da vida das pessoas”. Após a análise de admissibilidade, o texto ainda precisará passar por comissão especial antes de ser levado ao plenário. Bets e TCU Na mesma entrevista, Motta criticou a tentativa do governo de criar uma contribuição sobre apostas esportivas — a chamada Cide-bets — como fonte de financiamento para ações de combate ao crime organizado. Segundo ele, a equipe econômica avaliou que o tributo seria de difícil cobrança e poderia estimular plataformas ilegais. O trecho foi retirado por destaque do PL Antifacção. — Do ponto de vista operacional, não há como fazer essa cobrança. A própria equipe da Fazenda afirmou que não é possível. Além disso, não é verdadeiro dizer que arrecadaria R$ 30 bilhões. Talvez chegasse a 10% ou 15% disso — afirmou. O presidente da Câmara também reafirmou o acordo político firmado para indicar o deputado Odair Cunha (PT-MG) à vaga aberta no Tribunal de Contas da União (TCU), com a aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz. Segundo Motta, ainda não há data definida para a eleição, que dependerá de negociação entre os líderes partidários. — Fizemos um acordo e reafirmo esse compromisso. Odair é uma pessoa do diálogo, com trajetória equilibrada e capacidade para exercer a função — disse.