Os casos de infecção respiratória grave estão em alta em alguns estados do Brasil, mostra o novo Boletim InfoGripe divulgado nesta quinta-feira. O projeto, desenvolvido pelo Programa de Computação Científica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), monitora os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), aqueles que evoluem para hospitalização. A análise mais recente, referente ao período de 15 a 21 de fevereiro, mostra um crescimento nacional puxado pelo aumento das internações por rinovírus e vírus sincicial respiratório (VSR) em três estados do Brasil. Goiás, Sergipe e Rondônia estão em nível de alerta com tendência de aumento no longo prazo. Em todos, a alta é impulsionada pelo VSR, que causa principalmente bronquiolite infantil entre recém-nascidos e crianças pequenas. Em Goiás e no Sergipe, a alta é também puxada pelo rinovírus, que causa resfriado comum. Em Rondônia, há também um aumento expressivo de influenza A, que causa gripe, especialmente entre jovens e adultos. Segundo a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe, “o estudo também constatou indícios de manutenção do aumento das hospitalizações por influenza A no Pará e Ceará e por rinovírus em São Paulo e no Distrito Federal, porém ainda sem impacto nos casos de SRAG”. Outros estados não apresentam tendência de alta, mas seguem com níveis elevados de SRAG. É o caso de Acre, Amazonas e Roraima. Nos dois primeiros, o principal agente respiratório é o influenza A, que provocou um aumento recente, mas agora começa a apresentar sinal de redução. O VSR também é responsável por boa parte dos casos nos estados, mas está em queda no Amazonas, enquanto segue em alta no Acre e em Roraima. Em relação às capitais, especificamente, apenas duas apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco e com sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Boa Vista (RR) e Porto Velho (RO). O aumento é concentrado nas faixas etárias de 2 a 4 anos e de 15 a 49 anos em Boa Vista, e em crianças de até 2 anos em Porto Velho. Manaus (AM) e Rio Branco (AC) também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, mas sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo. No Brasil, em 2026, já foram notificados 8.218 casos de SRAG, sendo 2.566 (31,2%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório. Entre eles, 34,6% foram confirmados como pelo rinovírus; 19,2% pelo influenza A; 1,9% pelo influenza B, que também causa gripe; 20% pelo Sars-CoV-2, que causa Covid-19, e 12,5% pelo VSR. A incidência de SRAG é mais elevada entre as crianças pequenas, enquanto a mortalidade se concentra principalmente nos idosos.