As falas de associações de magistrados e membros do Ministério Público defendendo a existência de gastos além do teto do funcionalismo, os chamados "penduricalhos", no início do julgamento que analisa a manutenção desses pagamentos não foram bem recebidas por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Após as manifestações feitas por entidades de classe, integrantes da Corte comentaram reservadamente sobre o "descolamento" de algumas das falas feitas nesta quarta-feira. Entre as críticas feitas por alguns ministros estão os argumentos em defesa dos penduricalhos que afirmam que a remuneração dos juízes é defasada e merece ser compensada uma vez que os custos do trabalho incluem, muitas vezes, gastos com café e lanches nas comarcas. A avaliação feita é a de que o discurso em defesa dos pagamentos além do teto não encontra respaldo na realidade. Nesta quarta-feira, o STF ouviu as manifestações dos "amigos da Corte", que falaram em nome de uma série de associações e apresentaram argumentos a favor dos penduricalhos. O julgamento terá continuidade nesta quinta-feira com a análise dos casos e a exposição dos votos dos ministros. O colegiado analisa referendo de medidas cautelares concedidas em duas ações: uma relada pelo ministro Flávio Dino e outra pelo ministro Gilmar Mendes. O julgamento envolve verbas indenizatórias que, na prática, elevam os salários e ultrapassam o teto constitucional. A presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), a juíza do Trabalho aposentada Cláudia Márcia de Carvalho Soares, questionou a ausência de reajuste anual do salário de magistrados e reclamou dos gastos próprios "com lanche e café". Cláudia criticou a supressão dos benefícios. Segundo ela, até mesmo desembargadores de tribunais estaduais não possuem boas condições de trabalho quando comparados aos ministros em cargos superiores. — Juiz de primeiro grau não tem carro, paga do seu próprio bolso o combustível. Não tem apartamento funcional, plano de saúde, refeitório. Não tem água e não tem café, ministro Dino. No primeiro grau não tem, nós pagamos — argumentou Cláudia. Em uma dessas declarações, o advogado Jonas Modesto da Cruz, que falou em nome do Sindicato Nacional dos Magistrados, criticou as decisões de Dino e de Gilmar. O ministro Alexandre de Moraes reagiu: — Amicus curiae não tem legitimidade recursal para exigir que o recurso seja analisado. Precisamos repensar essa questão dos amigos da corte. É amigo da corte, e não inimigo da corte, alguém que vem aqui criticar por criticar o eminente relator, dizer que o eminente decano surpreendeu. Deveria analisar, primeiro, o regimento interno e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal — afirmou o ministro.