No Rio, Piero Lissoni fala sobre condomínio de luxo que projetou para último terreno livre da Praia da Barra: 'Responsabilidade terrível'

Nos próximos anos, a Praia da Barra vai ganhar mais um empreendimento imobiliário, no último terreno ainda livre da Avenida Lucio Costa. Mas para os amantes da arquitetura, pode-se dizer que a região vai ganhar mesmo uma obra de arte, com grife. O arquiteto e designer italiano Piero Lissoni, um dos principais nomes do design contemporâneo, é o responsável pelo projeto RIIO by Piero Lissoni. Na última quarta-feira (25), ele visitou o terreno e demonstrou entusiasmo com seu primeiro projeto no Rio. Às margens da lagoa: MP recomenda que prefeitura não dê licença para corte de 900 árvores em área de novo condomínio na Barra Observatório político: projeto vai monitorar vereadores com base eleitoral forte em Jacarepaguá — Para nós, o Brasil foi a meca da arquitetura modernista. E agora, eu, que sou europeu, estou aqui para desenhar algo modernista. Nada mal, né? — resumiu ele, que se encantou pelo mar da Barra, sentindo o peso de projetar algo no último terreno da orla. — É uma responsabilidade terrível! Quando eu comecei a desenhar prédios, fiquei assustado. É precisa colocar um pouco de consciência quando se desenha como arquiteto. Porque você constrói e depois alguém vive com algo que você criou. Projeto do RIIO by Piero Lissoni Divulgação/Tegra O RIIO by Piero Lissoni terá apartamentos de alto luxo com preço médio de R$ 13 milhões, em 32 unidades com diferentes configurações, incluindo coberturas lineares de até 1.042 m². O prédio está previsto para ser entregue em 2029. Lissoni é cauteloso ao falar sobre o projeto. Na noite da última quarta (25), quando se reuniu com arquitetos e jornalistas em um jantar, afirmou que seria diplomático nas respostas, já que há um coletivo de profissionais envolvidos no projeto, entre eles, a brasileira Mitla Morato. Mas apontou suas principais preocupações em relação ao trabalho. — Penso primeiro no que uma construção impacta para o local. A região é muito importante para mim. Tento relacionar local, espaço e construções. Levo em consideração distâncias, proporções e conexão visual com diferentes construções locais, os prédios da área, a costa e a natureza. Os nossos projetos são conectados com a natureza local. Penso em jardins com as construções no meio. Acredito que estamos num paraíso. Nós apenas tentamos seguir a natureza e o paraíso originais. Tudo tem que ter uma unidade, porque os nossos mestres e os seus arquitetos (brasileiros) desenharam coisas supermodernas, mas conectando inteiramente o modernismo com a natureza — disse Lissoni, com a experiência de quem já fez projetos de Miami a Pequim. O arquiteto italiano Piero Lissoni Divulgação/Nathalia Lopes Aos 69 anos, o dono do escritório Lissoni & Partners, que tem bases em Nova York e Milão, sua cidade natal, goza de fama internacional. Não só na arquitetura, mas também com grande reconhecimento nas áreas de design de interiores, design de produtos e design gráfico. No jantar oferecido pela Tegra Incorporadora, que constroi o residencial, cerca de 50 pessoas foram ao encontro da estrela da noite. Mesmo comentando que o trânsito estava péssimo ao longo do dia, ele mostrou pontualidade e elegância europeias e foi o primeiro a chegar ao Lasai, casa de eventos e restaurante em Botafogo, em um alinhado terno bege. Ao receber os parabéns pelo novo trabalho, o veterano revelou modéstia. — Não sei se será uma parabenização ou se vão reclamar. Prefiro esperar os anos — ponderou. O local onde ficará o novo condomínio, na Praia da Barra Tegra Lissoni Perguntado sobre a inspiração para a concepção do RIIO, Lissoni foi econômico e direto, tal como o estilo minimalista que o destacou para o mundo no design. — Sou um arquiteto modernista. Apenas tentarei ser modernista de novo. Nunca desenho algo na minha vida a partir de uma herança cultural. A não ser que eu vá reformar uma construção, onde há algo histórico, e eu sou muito bom nisso. Mas para desenhar algo, eu preciso ser modernista, sem adaptações. Pureza para mim é a linguagem. Sala de RIIO by Piero Lissoni Divulgação Ainda assim, ele diz que estudou bastante sobre o Rio. Esta é a segunda vez dele na cidade. A primeira foi em 2012, quando convidado para uma palestra. — Com certeza, o Rio é uma das cidades mais complicadas do mundo (para a arquitetura). Temos a costa, com as montanhas ao lado, a pobreza... é impossível desenhar uma cidade normal. Você precisa se adaptar e adaptar a cidade, ao redor da natureza. O Rio, para mim, são seis cidades diferentes juntas — analisou o italiano, que lamenta ter ficado apenas dois dias por aqui, ambos comprometidos com a agenda profissional, sem poder aproveitar a Cidade Maravilhosa como turista. Initial plugin text