Mais de 20 alunos de Candeias estão sem frequentar aulas em 2026 por falta de transporte para São Francisco de Paula

Santa Isabel também apresentou frota de van para transporte escolar Vinícius Silva/TV Diário Cerca de 25 alunos das comunidades rurais de Luízes e Vieiras, em Candeias, no Centro-Oeste de Minas Gerais, estão sem frequentar as aulas desde o início do ano letivo de 2026 por falta de transporte escolar. O impasse envolve as prefeituras de Candeias e São Francisco de Paula, município vizinho onde os estudantes estão matriculados. Os alunos são do ensino fundamental e médio e moram em áreas rurais que ficam mais próximas de São Francisco de Paula, cerca de 15 quilômetros. Por isso, segundo relatos, a decisão das famílias foi manter os filhos estudando na cidade vizinha, onde já vinham concluindo os estudos nos últimos anos. "Esses alunos ficam muito mais próximos de São Francisco de Paula do que da escola em Candeias. Isso ocorre porque a extensão territorial de Candeias é muito grande e as duas comunidades estão a cerca de 15 km da cidade vizinha e a cerca de 35 km da escola da própria cidade", explicou o advogado das famílias Daniel Edson. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp De acordo com o advogado, o caso foi encaminhado ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). O g1 fez contato com o MPMG, mas não houve retorno até a última atualização da reportagem. De acordo com a Prefeitura de Candeias, durante nove anos o município custeou o transporte desses estudantes até São Francisco de Paula, com um gasto médio mensal de R$ 15 mil. No entanto, segundo a administração municipal, o valor passou a pesar no orçamento. Em nota, a Secretaria Municipal de Educação de Candeias informou que mantém regularmente a rede municipal estruturada, com oferta de vagas na educação infantil e no ensino fundamental dentro do próprio município. Destacou ainda que o transporte escolar é disponibilizado tanto para escolas municipais quanto para escolas estaduais situadas em Candeias, com veículos vistoriados e motoristas capacitados. A Prefeitura ressaltou que não houve supressão do serviço público e que não há impedimento para que os alunos das comunidades de Luízes e Vieiras frequentem as aulas em Candeias. Segundo o Município, o transporte escolar para as unidades de ensino localizadas na cidade está em operação. A administração municipal argumenta ainda que, conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e a Constituição Federal, cabe ao município assumir o transporte escolar de seus próprios alunos. Como a matrícula dos estudantes foi efetivada em São Francisco de Paula por decisão particular das famílias, o entendimento é que os recursos públicos vinculados a esses alunos são destinados ao município onde estão matriculados. Portanto, o ônus do transporte deveria ser assumido pela cidade vizinha. LEIA TAMBÉM: Transporte por balsas é paralisado por falta de liberações da Marinha Tempestade e queda na temperatura marcam a semana Idosa desaparecida é encontrada deitada em colchão na mata Já a Prefeitura de São Francisco de Paula negou que receba recursos para custear o transporte desses estudantes. Em posicionamento, informou que a matrícula é uma decisão particular das famílias e que não pode se responsabilizar pelo transporte sob risco de infringir a Lei de Responsabilidade Fiscal. "O Município de São Francisco de Paula não tem nada a ver com essa situação. Não podemos nem chamar de impasse. Impasse é o que a Prefeitura de Candeias está criando para algo que é tão simples de solucionar. As alegações da Secretaria de Educação não se sustentam, com o devido respeito, o Estatuto da Criança e do Adolescente desde a década de 90 prevê que o ensino deve ser ministrado com base no melhor interesse dos alunos, e no presente caso, os alunos preferem continuar onde já estão e formaram laços de amizade e confiança", destacou o advogado. "Se computar as distâncias é consideravelmente mais econômico para o município de Candeias levar esses adolescentes até a Escola Estadual Mário Campos do que levá-los até a escola de Candeias, portanto, além de uma grave violação, a conduta da prefeitura é cruel ao jogar pais e mães, em sua maioria pequenos agricultores, em uma briga entre prefeituras que nem deveria existir, já que um convênio foi criado no passado para resolver a situação", completou. VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas