O laudo pericial elaborado pela Polícia Científica de Santa Catarina após a exumação do corpo do cão comunitário Orelha não identificou a causa da morte do animal, mas também não descartou a possibilidade de trauma cranioencefálico. O documento foi produzido depois que o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) solicitou novas diligências à Polícia Civil e foi obtido pela NSC TV. A exumação ocorreu em 11 de fevereiro, pouco mais de um mês após Orelha ter sido morto na Praia Brava, em Florianópolis. Segundo os peritos, a análise dos restos mortais, já em fase de esqueletização, não permitiu afirmar qual foi a causa da morte. Também não foram constatadas fraturas nos ossos do animal. Censo escolar: Com 1 milhão de matrículas a menos em um ano, Brasil tem queda de alunos em todas as etapas Ministro de Portos e Aeroportos: Silvio Costa Filho diz que mesmo após revogação de decreto, concessão de hidrovias na Amazônia continua sendo estudada O laudo ressalta, porém, que a ausência de fraturas “não deve ser interpretada como ausência de trauma cranioencefálico ou mesmo em outras partes do corpo”. O texto destaca que a maioria dos traumas cranianos não apresenta fraturas, embora possa levar à morte. Os peritos afirmam ainda que “todos os ossos do animal foram minuciosamente examinados visualmente, não tendo sido constatada qualquer fratura ou lesão que pudesse ter sido causada por ação humana”, inclusive no crânio, região que havia sido mencionada em laudo anterior. O documento também afasta a hipótese, disseminada nas redes sociais, de que um prego teria sido cravado na cabeça do cão, já que não foi encontrado qualquer vestígio que sustentasse essa versão. Durante a análise, foi identificada uma área de porosidade óssea na região maxilar esquerda do crânio, compatível com osteomielite (infecção óssea). De acordo com o laudo, trata-se de um processo crônico, sem relação com eventual agressão recente. Na coluna vertebral, foram observados osteófitos compatíveis com espondilose deformante, doença degenerativa comum em animais idosos e também sem vínculo com possível trauma recente. Os peritos destacaram limitações importantes no exame, já que o corpo estava em estágio avançado de decomposição, o que comprometeu a avaliação de tecidos moles. “Assim, o exame se limitou à minuciosa avaliação óssea dos remanescentes mortais”, registra o documento. O pedido de exumação foi feito pelo Ministério Público um mês após a morte do animal. Em 4 de fevereiro, o órgão recebeu a conclusão inicial da investigação. No dia 10, solicitou informações complementares à Polícia Civil, apontando lacunas no material reunido que impediam a formação de uma opinião conclusiva sobre o caso. Ao todo, o MP requisitou 35 novas diligências, além de outros 26 atos de investigação e 61 medidas extras. Entre as providências estava justamente a exumação do corpo de Orelha. Agora, o MPSC analisa o conjunto de documentos para decidir se acolhe o pedido de internação do adolescente apontado como autor da agressão, se solicita novas investigações ou se arquiva o caso. O procedimento tramita em segredo de Justiça por envolver menores de idade, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Em nota, o Ministério Público de Santa Catarina informou que "a 10ª Promotoria de Justiça da Capital recebeu o laudo pericial referente ao caso e, neste momento, o documento está em análise pela equipe técnica. Por se tratar de procedimento que tramita sob sigilo, não é possível divulgar detalhes do conteúdo. Orelha foi agredido em 4 de janeiro e morreu no dia seguinte, após ser socorrido por moradores. Considerado dócil e idoso, ele era um cão comunitário cuidado por moradores da Praia Brava, bairro turístico da Capital. Em laudo inicial baseado no atendimento veterinário, a Polícia Civil havia apontado que a morte teria sido causada por um golpe na cabeça com objeto contundente e sem ponta. Diante das dúvidas levantadas, o Ministério Público solicitou a exumação, realizada em 11 de fevereiro.