O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender um pacto coletivo pelo enfrentamento à violência contra a mulher, exaltou a Copa do Mundo Feminina que terá sede no Brasil no próximo ano e criticou “mentiras inesquecíveis sobre corrupção” e vaias a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) no mundial de 2014. O presidente participou de cerimônia no Palácio do Planalto promovida pela FIFA para apresentar a taça da Copa do Mundo de futebol que será realizada neste ano no Canadá, no México e nos Estados Unidos. A chamada Tour da Taça visitará 30 países membros da FIFA. O Brasil sediará a próxima Copa do Mundo de futebol feminino, em 2027. Havia a previsão de que a taça do megaevento fosse apresentada também na cerimônia desta quinta, mas por problemas de logística isso acabou não ocorrendo. Em seu discurso, o presidente da República disse que, com o mundial em 2027, o Brasil terá a chance de se “redimir” do que classificou como “vexame” em 2014. Ele disse que não foi um vexame dos jogadores, mas do momento que o país vivia, classificado por ele como “delicado, irritante e nervoso”. —Já começava naquele momento a quantidade de mentiras inesquecíveis sobre corrupção na Copa do Mundo— disse. Ele seguiu falando que o Tribunal de Contas da União (TCU) fiscalizou as obras nos estádios e chegou a conclusão que não havia corrupção. —E depois de todas as denúncias, o TCU chega a conclusão que não houve corrupção em nenhum estádio que estava sendo construído. Mas passou a ideia para a sociedade de que aquilo tinha sido um antro de corrupção e resultou na meninada toda nervosa, irritada. Não havia clima sequer para jogar futebol. É a única explicação que eu tenho para aquele banho que tomamos da Alemanha —seguiu Lula. O presidente afirmou ainda que diante do que ocorreu em 2014 é preciso fazer do campeonato em 2027 “uma festa”. Em seguida, criticou as vaias que a ex-presidente Dilma recebeu na cerimônia de abertura do mundial naquele ano. —Não esqueço a grosseria da torcida xingando a Dilma. Era uma coisa que jamais imaginei ver numa festa que o Brasil estava organizando, em que a gente fazia abertura da Copa do Mundo que a última tinha sido em 1950, as pessoas tratarem uma presidenta com o desrespeito que trataram a Dilma— afirmou o presidente. Lula esteve acompanhado do vice-presidente, Geraldo Alckmin, dos ministros Sidônio Palmeira (Secom), Luiz Marinho (Trabalho) e André Fufuca (Esporte), além de ex-atletas, como o ex-jogador de futebol Cafu e a ex-jogadora de futebol Formiga, que hoje é diretora de políticas de futebol e de promoção do futebol feminino no Ministério do Esporte. As autoridades presentes falaram em seus discursos sobre a importância dele para a promoção da modalidade no país e defenderam o combate à violência contra as mulheres. O governo federal tem reforçado o discurso do combate ao feminicídio e foi um dos responsáveis pela articulação de um pacto entre os Três Poderes para enfrentar a violência contra as mulheres. Ainda em seu discurso, Lula defendeu a valorização do futebol feminino no país, citou a diferença de salários dos atletas homens para as mulheres e afirmou que elas precisam ser respeitadas. Ao final, citou o pacto contra o feminicídio e voltou a cobrar e responsabilizar os homens. —Mulher não foi feita para apanhar e homem não tem direito de levantar a mão, seja qual for a circunstância. Não há nada que permita o homem levantar a mão para agredir mulheres —disse.