O governo Lula considera reverter o aumento das tarifas de importação sobre eletrônicos e bens de capital, depois da repercussão negativa gerada pela medida, implementada no início deste mês. A decisão, prevista no Orçamento do fim do ano e estimada em impacto de R$ 14 bilhões, elevou as tarifas de mais de 1,2 mil produtos para patamares entre 7,2% e 25%, com faixas intermediárias de 10%, 12,6%, 15% e 20%. + Leia mais notícias de Política em Oeste Na noite desta quarta-feira 25, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu a política, alegando proteção à indústria nacional e descartando alta de preços , mas esclareceu que a regra já prevê revogação para itens sem similar nacional. Segundo Haddad, a decisão de reverter o aumento das tarifas caberia ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). De acordo com o jornal O Globo , o Gecex, comitê executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex) , liderado pelo MDIC, se reunirá nesta sexta-feira, 27, para discutir o tema. https://www.youtube.com/watch?v=E8obPoxZBzU&t=21s Mecanismos de transição Existe um mecanismo de transição que permite que alguns produtos mantenham tarifa zero por 120 dias, mediante solicitação dos setores, enquanto se verifica a existência de similares nacionais. Segundo O Globo , fontes do governo apontam que uma eventual revogação, total ou parcial, teria pouco impacto fiscal, já que muitos dos itens são produzidos no Brasil e há instrumentos como o drawback , que reduz custos de importação para exportadores. A oposição intensificou críticas e comparou o episódio ao caso da possível taxação do Pix no início de 2025, quando denúncias baseadas em normas da Receita Federal geraram pressão pública e forçaram o governo a recuar. Outro desgaste citado por aliados do Planalto foi a chamada “taxa das blusinhas”, aprovada por unanimidade no Congresso em 2024, mas que ainda traz custo político ao governo. Tensões políticas Além da discussão sobre as tarifas, o ambiente político tenso pode dificultar outros projetos do setor econômico, como a possível cobrança de IOF sobre títulos isentos dos segmentos imobiliário e agrícola (LCI/LCA), o que tem impacto direto na gestão da dívida pública. O cenário também complica o debate sobre o imposto seletivo, previsto na reforma tributária , que o governo pretende encaminhar ainda este ano. Pesquisas recentes indicam queda na aprovação do governo em fevereiro. Um levantamento divulgado pela Atlas nesta quarta-feira 25, mostra empate técnico entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em cenários de segundo turno. Leia também: "Lulopetismo rebaixado" , artigo de Adalberto Piotto, publicado na Edição 310 da Revista Oeste O post Governo Lula avalia reverter aumento das tarifas de importação depois de críticas apareceu primeiro em Revista Oeste .