Escassez de chips de memória fará mercado de smartphones recuar 13%, segundo IDC

O mercado global de smartphones vai encolher 12,9% em 2026 devido à escassez sem precedentes de chips de memória, marcando “uma crise como nenhuma outra”, segundo a empresa de pesquisa IDC. A nova previsão, uma revisão drástica para baixo em relação às estimativas anteriores, traz o mais recente panorama da atual escassez de memória que está afetando todos os setores da indústria eletrônica. A demanda por memória avançada para alimentar tarefas de inteligência artificial esgotou a oferta global até o próximo ano e agora coloca em risco o modelo de negócios de muitos fabricantes de smartphones. A IDC agora projeta cerca de 1,1 bilhão de remessas de celulares em 2026, abaixo dos 1,26 bilhão do ano anterior, apagando anos de ganhos graduais. Os fabricantes de smartphones estão se adaptando aos custos elevados dos componentes, reduzindo especificações, eliminando modelos de entrada não lucrativos e incentivando os consumidores a comprar dispositivos mais sofisticados. “As tarifas e a crise da pandemia parecem uma piada em comparação com isso”, disse Nabila Popal, diretora sênior de pesquisa da IDC. “O mercado de smartphones testemunhará uma mudança radical quando esta crise terminar — em tamanho, preços médios de venda e cenário competitivo. Não esperamos que a situação melhore antes de meados de 2027, pelo menos.” O aumento acentuado no custo dos chips — tanto DRAM para lidar com tarefas de processamento quanto NAND para armazenamento — está impactando as margens de lucro já apertadas para muitas marcas de dispositivos Android. Empresas chinesas como Xiaomi e Oppo travam uma batalha intensa pelos consumidores, investindo pesadamente nos principais componentes para garantir uma fatia maior do mercado doméstico e fortalecer sua presença no cenário global. Seus dispositivos de entrada são os mais expostos às novas pressões de custo, já que a memória representa uma parcela maior do custo dos materiais, segundo a IDC. “Só gostaríamos que houvesse mais memória”, disse Cristiano Amon, diretor-presidente da Qualcomm, maior fornecedora de processadores móveis, após divulgar os resultados nesta semana. “A questão não é apenas o preço. O problema é simplesmente a disponibilidade. Portanto, acredito que a disponibilidade de memória determinará o tamanho geral do mercado de celulares.” Os aparelhos premium, como a maior parte da linha iPhone da Apple, enfrentarão melhor a crise, embora empresas como Xiaomi e Lenovo tenham alertado que os preços ao consumidor podem precisar subir. A escassez de memória deve se estender até 2027 e, mesmo quando a oferta for reabastecida, parece improvável um retorno às antigas estruturas de preços. “Os dias dos smartphones baratos acabaram, pois mesmo quando a crise terminar, não esperamos que os preços da memória voltem aos níveis de 2025”, disse Popal. No ano passado, foram enviados cerca de 170 milhões de smartphones com preço abaixo de US$ 100, um segmento que, segundo a IDC, agora se tornou economicamente inviável de manter.