Leila Pereira, presidente do Palmeiras Cesar Greco/Palmeiras A CPMI do INSS aprovou, nesta quinta-feira (26), a convocação de Leila Pereira, presidente do Banco Crefisa e da Crefisa S.A. Crédito, Financiamento e Investimentos, além de presidente do Palmeiras. A decisão ocorreu durante uma sessão marcada por intenso embate político, resultando na aprovação em bloco de 87 requerimentos após uma derrota da base governista na comissão. O requerimento, de autoria do relator Alfredo Gaspar (União-AL), fundamenta a necessidade da oitiva com base em informações prestadas pelo próprio presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, em depoimento realizado no início de fevereiro. Segundo o relator, a Crefisa assumiu papel central na operação de pagamento de novos benefícios, mas passou a ser alvo de medidas restritivas pelo órgão. No texto do requerimento, o deputado Alfredo Gaspar destaca que a convocação é "medida necessária" para esclarecer o conhecimento da alta administração da Crefisa sobre irregularidades relatadas por beneficiários. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Entre os pontos centrais da justificativa apresentada por Gaspar, ele aponta que o INSS adotou uma medida excepcional de suspender novos pagamentos pela Crefisa devido a reclamações reiteradas de aposentados. Ele também cita relatos que indicam pressão para abertura de contas e contratação de serviços sem informação adequada, o que o relator classifica como quadro próximo de "práticas abusivas". O relator também cita que o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) da instituição não foi renovado em junho de 2025 devido ao volume de reclamações, mantendo a empresa desabilitada para operar consignados desde então. A existência de processos instaurados a partir de denúncias das seccionais da OAB de São Paulo e Minas Gerais reforça, segundo o texto, a "indispensabilidade do depoimento". A aprovação do nome de Leila Pereira foi viabilizada por uma manobra regimental. A base do governo propôs a votação "em globo" (em bloco) de todos os itens da pauta, na expectativa de rejeitá-los integralmente. No entanto, a contagem de votos conduzida pelo presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), confirmou a vitória da oposição. Com o resultado, além da convocação da presidente da Crefisa, a comissão aprovou medidas de alto impacto político, como a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) e de empresas ligadas ao Banco Master. Contudo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a quebra de sigilo de Lulinha antes da CPMI do INSS. Na condição de testemunha, Leila Pereira deverá esclarecer quais mecanismos de controle a instituição adotou diante das medidas restritivas impostas pelo INSS e qual a responsabilidade da administração na manutenção das práticas citadas. A CPMI tem prazo de encerramento previsto para 26 de março, mas o relator e o presidente do colegiado já articulam a prorrogação dos trabalhos para garantir a realização desta e de outras oitivas do setor financeiro aprovadas nesta quinta-feira.