O ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, afirmou nesta quinta-feira (26) que a “paciência se esgotou” e falou em “guerra aberta” contra o Afeganistão após a nova escalada militar entre os dois países. A declaração ocorre horas depois de o Paquistão realizar bombardeios em Cabul e em outras duas províncias afegãs, segundo o porta-voz do governo do Afeganistão, Zabihullah Mujahid. Ainda não há relatos sobre vítimas. Mais cedo, o Afeganistão anunciou ter lançado uma ofensiva contra posições militares paquistanesas ao longo da chamada Linha Durand, a fronteira de 2.611 quilômetros entre os dois países. Autoridades afirmaram que a ação foi uma retaliação a bombardeios do Paquistão realizados no domingo (22) em áreas de fronteira. O Ministério da Defesa afegão disse que 55 soldados paquistaneses morreram e que dezenas foram capturados. Já o Paquistão contestou os números e afirmou que dois militares morreram e três ficaram feridos. O governo paquistanês também negou que postos militares tenham sido tomados. Em publicação nas redes sociais, Asif acusou o Talibã de transformar o Afeganistão de abrigar militantes internacionais e de retirar direitos básicos da população, incluindo mulheres. Segundo ele, o Paquistão tentou resolver a situação por meio da diplomacia, mas agora dará “resposta decisiva”. “Nossa paciência se esgotou. Agora é guerra aberta entre nós. Agora será confronto total. O Exército do Paquistão não veio de além-mar. Somos seus vizinhos e sabemos do que vocês são capazes”, publicou. O Ministério da Informação do Paquistão afirmou que o país tomará “todas as medidas necessárias” para garantir a integridade territorial. Os confrontos também atingiram a região de Torkham. Autoridades afegãs evacuaram um campo de refugiados após um ataque com míssil deixar 13 civis feridos, entre eles mulheres e crianças. Do lado paquistanês, moradores deixaram vilarejos próximos à fronteira por precaução. A troca de ataques coloca em risco o cessar-fogo mediado pelo Catar, que vinha sendo mantido com episódios esporádicos de violência. Rodadas de negociação realizadas em novembro não resultaram em acordo formal. A tensão entre os dois países aumentou nos últimos meses. O Paquistão acusa o Tehrik-e-Taliban Pakistan (TTP) de atuar a partir do território afegão. O grupo é aliado do Talibã afegão. Cabul nega abrigar militantes. A ONU pediu que os dois lados protejam civis e busquem solução diplomática para o conflito.