A detenção de Beatriz Elissandra Marques Carvalho, 24 anos, na manhã de quarta-feira (25), trouxe à tona indícios de um roteiro criminoso que vinha se repetindo em Ceilândia. Segundo as investigações, ela abordava homens em bares, ganhava confiança ao longo da noite e, após levá-los para sua casa, misturava medicamento à bebida antes de praticar roubos com violência. O caso veio à tona depois que um homem deu entrada ferido no Hospital Regional de Ceilândia (HRC). Ele apresentava perfurações na cabeça e lesões no rosto e no pescoço. À polícia, contou que havia sido atraído até a casa da mulher, na QNM 6, após conhecê-la horas antes em um bar da região. Segundo o relato, já no imóvel, recebeu uma bebida misturada com medicamento. A substância, conforme a investigação preliminar, seria clonazepam. A intenção, de acordo com o depoimento, era fazê-lo perder a consciência. Como o efeito não foi suficiente, a mulher teria partido para agressões físicas e o mantido sob restrição de liberdade. O homem afirmou que teve o celular, os tênis e a blusa levados. Apesar da violência, ele sobreviveu e recebeu alta médica. Enquanto o homem era atendido, a própria suspeita procurou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ceilândia. Lá, segundo a ocorrência, relatou ter cometido um homicídio e mostrou imagens da vítima ferida armazenadas no celular. A equipe médica acionou o 190, e policiais do 10º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal realizaram a prisão em flagrante. Na residência indicada por ela, os militares encontraram vestígios de sangue, uma faca e diversos objetos que não pertenciam ao homem ferido, entre eles documentos pessoais, cartões bancários e um notebook. Segunda possível vítima A análise do material apreendido levantou a suspeita de um segundo caso ocorrido dois dias antes. De acordo com as investigações, outro homem teria sido dopado de maneira semelhante no dia 23 de fevereiro. Vídeos que passaram a circular em grupos de mensagens também integram o inquérito. Em um dos registros, a mulher aparece utilizando uma máscara branca enquanto exibe objetos diante da câmera, com a vítima imobilizada ao fundo. O homem ferido foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF). O caso foi registrado na 15ª Delegacia de Polícia como roubo com restrição de liberdade e cárcere privado. A depender da conclusão do inquérito, a tipificação pode ser alterada para tentativa de latrocínio.