O Alto-Comando do Exército Brasileiro aprovou, em votação secreta, a promoção da coronel médica Cláudia Lima Gusmão Cacho ao generalato. Ela será a primeira mulher promovida a oficial-general na história do Exército Brasileiro, após ter seu nome submetido, juntamente com os demais propostos à promoção, ao presidente Lula. Chuvas em MG: Mortes sobem para 59; 15 pessoas seguem desaparecidas após temporais Não foi apenas o fim das cotas: SC soma 271 projetos anti-direitos em 10 anos A promoção rompe uma barreira histórica em uma instituição que só passou a admitir mulheres em seus quadros permanentes a partir dos anos 1990. Quem é Cláudia Lima Pernambucana do Recife, 57 anos e pediatra, Cláudia ingressou na carreira em 1996 e comandou dois hospitais estratégicos da Força: o de Guarnição de Natal e o Militar de Área de Campo Grande. Formou-se em Medicina pela Universidade de Pernambuco (UPE) e especializou-se em pediatria antes de ingressar no Exército em 30 de janeiro de 1996, como oficial temporária, no então 42º Batalhão de Infantaria Motorizada, sediado em Goiânia (GO). Foi aprovada no Concurso de Admissão para a Escola de Saúde do Exército, concluindo o Curso de Formação de Oficiais Médicos em 1998. Desde então, dedicou as quase três décadas à carreira militar no Quadro de Oficiais Médicos. Além das funções administrativas, Cláudia liderou a Divisão de Perícias Médicas da Inspetoria de Saúde no Nordeste e o Escalão de Saúde da 1ª Região Militar, coordenando políticas e práticas de saúde em escalas regionais dentro da estrutura do Exército. Além da trajetória profissional, Cláudia é casada e mãe de duas filhas. O posto de general é o mais alto na carreira militar e integra o círculo de oficiais-generais responsáveis pelo comando de grandes unidades, como brigadas e divisões, além de participar do planejamento estratégico da instituição. Para se tornar elegível à promoção, o oficial deve cumprir tempo mínimo de serviço — em geral cerca de 35 anos — e obter indicação do Alto Comando. A possível promoção de Cláudia representa também um símbolo de transformação institucional: o Exército passou a admitir mulheres em seus quadros permanentes apenas na década de 1990, e sua ascensão ao topo da carreira reflete uma ampliação gradual da presença feminina em espaços de liderança e comando dentro das Forças Armadas. Em 2025, o Exército Brasileiro promoveu, pela primeira vez, mulheres à graduação de subtenente, consolidando a presença feminina no topo da carreira das praças. As militares integravam a turma pioneira de 2002, formada por 16 mulheres e quatro homens. No mesmo ano, a Força passou a se preparar para outro marco: o ingresso das primeiras mulheres soldados no Serviço Militar. Ao todo, 33.720 mulheres se alistaram em 2025, e 1.010 devem ser incorporadas ao Exército em 2 de março de 2026, ampliando a participação feminina na instituição.