Um homem que vivia na Flórida foi identificado pelo governo de Cuba como uma das quatro pessoas mortas a tiros pela guarda costeira do país após um confronto no mar, ocorrido nesta quarta-feira (25). Segundo autoridades cubanas, a lancha em que o grupo estava teria entrado em águas territoriais da ilha e iniciado disparos, provocando a reação das forças de segurança. Entenda: Guarda Costeira de Cuba mata quatro pessoas em lancha com registro dos EUA; Havana fala em 'tentativa de infiltração' Lancha armada e acusação de 'fins terroristas': O que se sabe sobre o incidente que deixou quatro mortos na costa de Cuba A vítima foi identificada como Michel Ortega Casanova. As identidades das outras três pessoas mortas ainda não foram divulgadas. Outras seis ficaram feridas durante a troca de tiros e foram detidas, de acordo com o Ministério do Interior de Cuba. Relatos da família Irmão de Ortega Casanova, Misael Ortega Casanova afirmou à Associated Press que o parente vinha demonstrando uma busca “obsessiva” pela liberdade de Cuba. Segundo ele, familiares não sabiam das ações que acabariam levando ao episódio. A mãe dos dois estaria devastada com a morte. — Só nós, cubanos que vivemos lá entendemos — disse Misael, acrescentando que alguns exilados acabam ignorando os riscos envolvidos. Apesar disso, afirmou esperar que, no futuro, o sacrifício do irmão tenha algum significado na luta política relacionada ao país. A esposa de Ortega Casanova confirmou a morte do marido, mas preferiu não comentar o caso. Nascido em Cuba, ele havia emigrado para os Estados Unidos nos anos 1980, tornou-se cidadão americano e trabalhava como caminhoneiro. Morava em Lakeland, na Flórida, segundo familiares. De acordo com o governo cubano, todos os envolvidos na embarcação eram cubanos residentes nos Estados Unidos. Os feridos foram identificados como Amijail Sánchez González, Leordan Enrique Cruz Gómez, Conrado Galindo Sariol, José Manuel Rodríguez Castelló, Cristian Ernesto Acosta Guevara e Roberto Azcorra Consuegra. As identidades ainda não foram confirmadas oficialmente pelas autoridades americanas. O Ministério do Interior de Cuba afirmou que o grupo planejava uma “infiltração terrorista” na ilha. Segundo o governo, foram apreendidos fuzis de assalto, pistolas, coquetéis molotov, coletes à prova de balas, miras telescópicas e uniformes camuflados. Autoridades locais também disseram que a maioria dos ocupantes do barco teria histórico de atividades criminosas ou violentas. A organização Casa Cuba, sediada em Tampa, descreveu Ortega Casanova como patriota e afirmou que ele integrava o Partido Republicano Cubano. Autoridades dos Estados Unidos disseram que pretendem investigar o caso. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que o governo americano não tirará conclusões com base apenas nas informações fornecidas por Havana e disse ser “altamente incomum” um confronto armado dessa natureza em mar aberto. O vice-presidente JD Vance declarou que foi informado sobre a situação e que aguardará mais detalhes antes de comentar o episódio.