Com Haddad menos resistente, Lula deve fazer nova reunião sobre palanque paulista na próxima semana

As articulações para a formação do palanque eleitoral em São Paulo entram na reta final com as sinalizações de que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, baixou as resistências para se candidatar a um cargo no estado, entre eles o comando do Palácio dos Bandeirantes. No jantar de quinta-feira entre ele e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, essa maior disposição de encarar o desafio para o qual havia muita resistência ficou mais clara, segundo O GLOBO apurou, mas uma nova rodada de conversas ainda deverá acontecer no início da próxima semana. Esse novo encontro deve contar com a participação do vice-presidente Geraldo Alckmin, outra peça importante para a definição do xadrez político no estado mais populoso do país. O ex-governador prefere continuar na posição atual, mas é alvo de pressões de diversas frentes. De um lado, há uma percepção de que compor uma chapa com ele, Haddad e ainda possivelmente as ministras Marina Silva (Meio Ambiente) e Simone Tebet (Planejamento) pode não só deixar o palanque paulista muito forte para a disputa presidencial como dar trabalho para Tarcísio de Freitas. O atual governador, que chegou a postular o comando da chapa do campo da direita na disputa ao Planalto e perdeu a queda de braço para Flavio Bolsonaro, é visto como favorito à reeleição em um eleitorado majoritariamente conservador. A posição de Alckmin, que está no PSB, é cobiçada por uma parte do MDB, um partido com muito mais capilaridade e musculatura, mas que tem um racha interno complicado de ser superado. O presidente do partido, Baleia Rossi, é aliado de Tarcísio e resiste à tese de o partido compor a vice com o PT, embora a ala governista do partido, que conta com ministros como Renan Filho (Transportes), Jader Filho (Cidades) e Tebet, acredita que pode mudar o rumo planejado por Baleia. Mesma que consiga se manter na vice de Lula, o histórico de ter sido quatro vezes governador de São Paulo torna Alckmin essencial para a competitividade da aliança lulista no estado. Seja como for, a menor resistência demonstrada por Haddad depois de meses negando taxativamente a ideia de disputar algo em São Paulo evidencia a crescente preocupação com o acirramento da disputa nacional. As últimas pesquisas mostraram uma subida relevante da candidatura de Flavio Bolsonaro, que até ganha em alguns cenários. Outros nomes da direita, como o próprio Tarcísio, também melhoraram seus números nacionais. Hoje, Flavio e Tarcísio se encontraram para reforçar a aliança mirando outubro. Pesquisas recentes também mostram que Haddad é um nome com bons índices de avaliação e relativamente baixa rejeição. A despeito da derrota para Tarcísio, ele teve um desempenho considerado muito bem sucedido em 2022 em São Paulo, com uma votação expressiva considerando-se que é um nome do PT, partido que sempre teve dificuldades nos estados. Um dado curioso é que, a despeito de ter passado boa parte de sua gestão na Fazenda sendo alvejado por críticas de petistas sobre um suposto excesso de austeridade, são os próprios petistas que mais pressionam por sua candidatura em São Paulo. Nesse ambiente e dada a proximidade com o presidente Lula, Haddad demonstra estar sendo tocado por um senso de missão. Falta ainda, porém, um acerto final, que inclui deixar clara qual será a estratégia política e o projeto a ser apresentado às urnas.