Fala, amendoeira! Árvore abundante no Rio é o assunto mais comentado da semana pelos leitores

As amendoeiras, árvores que dominam a paisagem carioca, movimentaram as cartas que chegaram ao GLOBO entre os dias 20 e 26 de fevereiro. Ao repercutir a crônica de Joaquim Ferreira dos Santos que abordou a chegada da "temporada das amêndoas assassinas", leitores relataram incômodos semelhantes, como a queda dolorosa dos frutos sobre as pessoas, as folhas que entopem bueiros e as raízes que rasgam as calçadas no Rio e em outras cidades. Outros, porém, saíram em defesa da espécie que encantou Carlos Drummond de Andrade, revelando memórias de infância e abrindo debate sobre convivência, planejamento urbano e meio ambiente. As 9 cartas sobre a árvore integram o conjunto de 79 textos selecionados para publicação no jornal impresso, entre as aproximadamente 250 mensagens recebidas no período. A discussão em torno dos penduricalhos nos salários do funcionalismo público, que está sendo julgado pelo STF, foi o segundo tema mais comentado na semana. A atuação do Poder Judiciário como um todo também mobilizou os leitores, como a decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, depois revogada, por absolver um homem de 35 anos acusado de estupro de vulnerável contra uma menina de 12. Outro assunto comentado foram as chuvas, com críticas à gestão pública, tanto pelo viés da tragédia em Juiz de Fora e Ubá, em Minas Gerais, como pelos apagões da Enel em São Paulo. Leia alguns trechos das cartas dos leitores publicadas no jornal impresso ao longo da semana Amendoeiras em época de troca de folhas na Praça Paris, no Rio Márcia Foletto Amendoeiras nas cidades "Achava-me um ingrato com as amendoeiras, cujo custo em seus inúmeros inconvenientes é muito mais alto do que o simples e único benefício da sombra fresca. Mais eis que Joaquim Ferreira dos Santos me salvou com a sua crônica. Ele, que foi atingido com violência por uma amêndoa, tem toda razão ao discordar da “doçura e paciência”, recomendadas por Drummond, com as amendoeiras. As amêndoas atingem as pessoas, infestam nossas calçadas de mosquitos, mancham as carrocerias dos carros estacionados e ainda atraem morcegos que defecam sobre as nossas calçadas. Nós, moradores da Rua Zamenhof, Estácio, sabemos bem o que é conviver com as gigantescas amendoeiras (no trecho entre Haddock Lobo e Quintino do Vale), pois a poda que a Comlurb deveria fazer com regularidade não acontece nem a pau!" Por Fernando Cardoso (Rio) "Caro Joaquim, parabenizo você pela coluna das amêndoas. Se você pesquisar Brasil afora, vai verificar que o prefeito daquela época conseguiu que muitos colegas em várias cidades fizessem o mesmo, inclusive transformou o comércio internacional de amendoeiras com o nosso país. Aqui em Aracaju existem várias avenidas como estas do Rio. Creio que outras cidades passem pelos mesmos dilemas." Por Arnaldo Vieira da Silva (Aracaju, SE) "Calma, gente! Além das sombras que amainam o calor, outro lado bom das amendoeiras é que elas me serviram de alimento quando criança, principalmente as vermelhas, mais carnudas que as amarelas. Porém, tinha que comê-las com cuidado para não morder o caroço, azedo e com travor, que estragava todo o seu sabor, mas dentro tinha uma castanha deliciosa. Fiquei com a boca cheia d'água." Por Hilton Santos (Niterói, RJ) "Lendo as cartas dos leitores fiquei impressionado com a má vontade de alguns com relação às árvores. Excetuando alguns transtornos sazonais, alguém poderia imaginar nossa cidade sem essa cobertura vegetal?" Por Marcio Rego Monteiro, Rio Ruas coloridas: Fora de época, amendoeiras trocam as folhas no Rio e decoram praças e ruas em tons de vermelho Leo Aversa: Nas ruas do Rio, um mar de folhas vermelhas e amarelas em pleno inverno Ancelmo Gois: Derrubada de mais de dez árvores para construção condomínio na Barra gera revolta entre moradores Penduricalhos no funcionalismo público "O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, acertou em cheio impondo por meio de liminar a impossibilidade de criar penduricalhos por meio de novas leis ou, então, retroagindo possíveis benefícios. A medida, evidentemente, deve ser comemorada pelo conjunto da sociedade brasileira, uma vez que é legalmente justa e moralmente indispensável, especialmente quando analisamos que os maiores beneficiados são a casta do funcionalismo. Ainda assim, é triste ver que no Brasil o óbvio não só precisa ser dito, como escrito e muitas vezes transitar em julgado. Notem que a medida, que é provisória, já tem sido questionada por alguns tribunais — que enxergam uma desproporcionalidade no alcance. O Estado brasileiro está no limite orçamentário, mas sempre há grupos específicos que conseguem tirar uma pepita a mais de ouro dos cofres do Tesouro." Por Willian Martins (Guararema, SP) "Sabem o que vai acontecer? O STF e o Congresso vão acabar, depois de 60 dias de discussões, decidindo que os penduricalhos são legais, embora não façam parte da Constituição. E vai continuar tudo do mesmo jeito. Essa tal “regra de transição” está me cheirando mal. Se os penduricalhos são ilegais, inconstitucionais, por que não acabar logo com eles? É impressionante a desfaçatez dos nossos juízes e parlamentares." Por Elódia Xavier (Teresópolis, RJ) Gastos além do teto: Ministros do STF criticam argumentos pró-penduricalhos em julgamento sobre teto do funcionalismo Defesa de salário: Em audiência sobre 'penduricalhos', juíza critica falta de reajuste salarial e reclama dos gastos próprios com lanche e café Poder Judiciário "Por maioria, a Justiça de Minas Gerais absolve um homem de 35 anos acusado de estupro de uma menina de 12 por “vínculo consensual”. A contribuição de Minas ao inferno astral do Judiciário brasileiro." Por Evandro Pagy (Rio) "A perplexidade toma conta de quem acompanha o noticiário. Em um caso gravíssimo, a absolvição de um homem que manteve relação com uma criança de 12 anos expõe não apenas a fragilidade da aplicação da lei, mas também a desconexão de parte do Judiciário com os valores mais elementares de proteção à infância. A vulnerabilidade de uma criança jamais pode ser confundida com consentimento. Não bastasse, assistimos à autoproteção de ministros diante de episódios que envolvem suspeitas de favorecimento e blindagem. (...) Nossos representantes são desatualizados em relação às demandas da sociedade ou perderam a noção do papel que ocupam? A democracia exige vigilância, mas também decoro, responsabilidade e compromisso com valores universais de justiça e dignidade. Quando esses pilares são ignorados, o que resta é a descrença e o enfraquecimento da confiança no sistema. O povo não pode ser refém de autoridades que confundem poder com imunidade, nem de instituições que se afastam de sua missão essencial: proteger, servir e respeitar a cidadania." Por Oswaldo Jesus Motta (Rio) Estupro de vulnerável: 'Exceções' da Justiça relativizam o crime, que faz uma vítima a cada oito minutos no país Denúncias: Corregedoria do CNJ ouve vítimas que relataram abuso de desembargador que absolveu réu por estupro de vulnerável Chuvas e gestão pública "As chuvas volumosas que destroem cidades em alguns estados têm em comum o fato de acumularem dezenas de milímetros de água num pequeno espaço de tempo. Outra coincidência é o fato de governadores e prefeitos das cidades atingidas nada terem feito para conter enchentes, evitar desmoronamentos, canalização de córregos e rios, contenção e demais obras necessárias. As cidades recém-afetadas pelas fortes chuvas como Porto Alegre, São Paulo, Juiz de Fora têm prefeitos e governadores desviando verbas específicas para evitarem esses problemas, repassando-as para outros itens menos importantes de seus orçamentos. São políticos que não acreditam em crise climática, são pessoas negacionistas e péssimos gestores." Por Rafael Moia Filho (Bauru, SP) "E mais uma vez constato que ainda posso me impressionar, ficar perplexa, boquiaberta e todos os adjetivos afins. Tudo certo então! O CEO da Enel finalmente deu a solução para os apagões paulistas. Estavam todos recorrendo à pessoa errada! É Jesus quem dará a solução. Não é o governo. Não será a substituição do sistema. Afinal, são as árvores que atrapalham os fios, gente! Paris, Roma, Madrid, todas com sistema subterrâneo. E daí? Cabe perguntar por que nada efetivo é feito para mudar o sistema. Ninguém é ingênuo para pensar que é simples a mudança numa cidade enorme e complexa como São Paulo. Mas Jesus na causa? Parece uma resposta debochada. Que o Evocado para a solução da energia em São Paulo mantenha a benevolência com a Humanidade, porque está difícil!" Por Maria Inês Escosteguy Carneiro (Rio) Míriam Leitão: Estudo aponta caminho para destravar R$ 27 bilhões em crédito para prevenção climática para as cidades Chuvas em MG: Com 48 mortos e 20 desaparecidos, Defesa Civil faz apelo para que moradores não retornem a áreas de risco