O relatório final da Polícia Federal aponta que o deputado estadual Rodrigo Bacellar, afastado da presidência da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), exerce "a liderança do núcleo político" do Comando Vermelho (CV). Em 188 páginas, o documento do fim de janeiro, assinado pelo delegado Guilhermo de Paula Catramby, descreve que o parlamentar é quem "fornece a interlocução política necessária à blindagem das ações da horda". Conforme adiantou o blog do jornalista Lauro Jardim, do GLOBO, o relatório aponta a "capacidade de articulação" como o "maior ativo de Rodrigo Bacellar". Preso em dezembro durante comparecimento à Superintendência da Polícia Federal, no Rio, Bacellar foi alvo de um mandado de prisão expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, após indícios de que o então presidente da Alerj teria vazado para o então deputado estadual TH Jóias — Thiego Raimundo dos Santos Silva — detalhes sigilosos da Operação Zargun, que acabou prendendo TH, em setembro. Os deputados do Rio, então, votaram pela revogação da prisão de Bacellar, que recebeu a liberdade provisória, mas com medidas cautelares impostas por Moraes, como o afastamento da presidência da Assembleia, assim como uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento noturno. Agora, nessa versão final, enviada a Moraes e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, a Polícia Federal aponta que "um dos ingredientes nefastos dessa teia criminal do Rio de Janeiro é a interação dos grupos criminosos violentos com agentes públicos". Por isso, o caso envolvendo Bacellar e TH é classificado como "o retrato perfeito da espoliação dos espaços públicos de poder pelas facções criminosas no Rio". Em atualização