Juíza que reclamou de gastos com lanche e café recebeu quase R$ 710 mil em 2025

A juíza do Trabalho aposentada Cláudia Márcia de Carvalho Soares recebeu quase R$ 710 mil líquidos em salários ao longo de 2025. O valor foi revelado pelo jornal O Globo. Presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), a magistrada ganhou notoriedade na terça-feira 24 ao reclamar, durante audiência no Supremo Tribunal Federal (STF) , da ausência de reajuste anual e dos gastos próprios com "lanche e café". Cláudia se posicionou contra as decisões dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes que suspenderam o pagamento de benefícios conhecidos como "penduricalhos" não previstos em lei. + Leia mais notícias de Política em Oeste Embora o subsídio mensal da categoria seja de mais de R$ 40 mil, verbas indenizatórias e "direitos eventuais" elevaram os ganhos da juíza. Dados do Painel de Remuneração dos Magistrados, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) , revelam que a magistrada recebeu quase R$ 130 mil apenas no mês de dezembro. Além disso, a juíza possui isenção de Imposto de Renda desde agosto de 2024, benefício garantido por lei a trabalhadores diagnosticados com doenças graves. Para STF, comentário de juíza sobre gastos mostra 'descolamento' da realidade Durante sua sustentação, a magistrada argumentou que juízes de primeiro grau pagam o próprio combustível e não possuem apartamentos funcionais, planos de saúde ou refeitórios. "Não tem água e não tem café, ministro Dino. No primeiro grau não tem, nós pagamos", afirmou. Segundo ela, desembargadores no Rio de Janeiro também enfrentam carência de estrutura e "mal têm um lanche". "O juiz paga o combustível do seu carro", reclamou a juíza que recebeu R$113 mil e ainda esbravejou que precisa pagar pelo cafezinho e lanche. Ela não faz a menor ideia de como nós vivemos fora da casta juristocrata. Vergonhoso. pic.twitter.com/60BmJOwJJY — LeoLZ (ZV) ☭⃠ (@surikato_SP) February 26, 2026 Segundo o jornal, as falas geraram críticas reservadas entre ministros do STF. Integrantes da Corte avaliaram os discursos como um "descolamento" da realidade, apontando que a defesa de pagamentos acima do teto constitucional não encontra respaldo nos fatos. Cláudia, por sua vez, defendeu que o subsídio da magistratura deveria ter recomposição anual, comparando-o ao salário mínimo, para evitar a "fragmentação remuneratória" entre as justiças estadual e federal. STF adia decisão sobre teto remuneratório O STF adiou para o dia 25 de março a análise das liminares que suspenderam os pagamentos excedentes ao teto. O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, anunciou a criação de um grupo de trabalho para formular, em 60 dias, uma regra de transição sobre as verbas indenizatórias do funcionalismo. A medida segue uma reunião entre o Judiciário e a cúpula do Congresso Nacional. A decisão recente de Gilmar Mendes estabelece que tribunais e Ministérios Públicos só podem pagar verbas indenizatórias se houver previsão expressa em leis aprovadas pelo Legislativo . O ministro fixou um prazo de 60 dias para que as instituições suspendam pagamentos baseados exclusivamente em leis estaduais ou atos normativos internos, buscando zelar pelo cumprimento do teto remuneratório constitucional. Leia também: "CNJ afasta desembargador que absolveu acusado de estupro" O post Juíza que reclamou de gastos com lanche e café recebeu quase R$ 710 mil em 2025 apareceu primeiro em Revista Oeste .