A Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) determinou, nesta sexta-feira (27), o afastamento imediato do desembargador Magid Nauef Láuar, da 9ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). A decisão foi tomada após o Conselho identificar o que chamou de "indícios de delitos contra a dignidade sexual" supostamente praticados pelo desembargado no período em que atuou como juiz em Ouro Preto e Betim, em Minas Gerais. Segundo nota do CNJ, ao menos cinco vítimas já foram ouvidas — uma delas no exterior — e há fatos recentes, o que sustenta o prosseguimento das apurações. "Muito embora parte dos eventos narrados, em razão do longo lapso temporal, já tenha sido alcançada pela prescrição da pretensão persecutória em âmbito criminal, também foram identificados fatos mais recentes, ainda não abarcados pela prescrição, a determinar o prosseguimento das apurações", diz um dos trechos do documento. PF faz ação contra desembargador do TJMG que atuou em caso de estupro; ele foi afastado do cargo Por determinação do CNJ, a Polícia Federal faz uma operação de busca e apreensão nesta tarde contra o desembargado. Segundo interlocutores da PF, investigadores estiveram no prédio do TJMG. A nota do CNJ menciona ainda que a apuração começou ao examinar possíveis “indícios de teratologia” no voto do magistrado que absolveu um homem de 35 anos acusado de estuprar uma menina de 12 anos. A partir daí, surgiram “desdobramentos” que apontaram para a prática de delitos contra a dignidade sexual atribuídos a Magid quando era juiz nas comarcas de Ouro Preto e Betim. “Foram identificados desdobramentos que apontaram para a prática de delitos contra a dignidade sexual por parte do magistrado [...]. Muito embora parte dos eventos narrados [...] já tenha sido alcançada pela prescrição, também foram identificados fatos mais recentes [...] a determinar o prosseguimento das apurações", menciona outro trecho. O órgão também destacou que "procedimentos disciplinares não configuram juízo prévio de culpa, mas têm como objetivo preservar a credibilidade da magistratura, assegurar o regular funcionamento da Justiça e manter a confiança da sociedade no Poder Judiciário" (veja a nota na íntegra mais abaixo). As investigações administrativas dentro do CNJ e TJMG começaram após denúncias de abuso sexual divulgadas por familiares e ex-funcionárias do desembargador Magid Nauef Láuar. Por isso, ele foi afastado para garantir que a apuração dos fatos "transcorra de forma livre, sem quaisquer embaraços", justifica o CNJ em nota. Relator Magid Nauef Láuar que absolveu réu por estupro de vulnerável, é investigado pelo CNJ por abuso sexual Redes sociais